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Conteúdo de qualidade

por Leandro Cacossi


Toda empresa, em qualquer área, tem como objetivo obter lucro. Quanto mais vender, melhor. As empresas de comunicação seguem o mesmo pensamento e a mesma forma de agir. Veículos impressos sempre tiveram que vender bastante para conseguir mais anunciantes e, dessa forma, obter mais lucro. Rádio e TV da mesma forma: quanto mais audiência, mais receita.

A chegada da internet e a conseqüente integração com os tradicionais veículos de comunicação acabaram trazendo uma grande interrogação para grandes companhias (e, até mesmo, para as novas – as que existem apenas no mundo web): como obter lucro com o conteúdo online?

Durante muito tempo, o conteúdo inédito de sites de grandes jornais e revistas era baseado quase exclusivamente no conteúdo de sua versão tradicional (impressa). A evolução da internet mudou o jogo e, agora, o conteúdo online é deveras importante (talvez até mais que a simples reprodução do conteúdo impresso).

A evolução da web trouxe à tona muitas dúvidas àqueles que estão diretamente ligados ao mercado. E talvez a principal delas seja: de que forma ganhar dinheiro com internet? Cobrar por conteúdo é o ideal? Ou deixar o conteúdo livre e apostar em publicidade?

No Brasil um bom exemplo é o UOL. Talvez os três principais atrativos do portal no seu início eram: servir de provedor de acesso à internet discada; oferecer uma conta de e-mail com grande espaço de armazenamento de dados ao usuário; e o conteúdo fechado de revistas (da Editora Abril, por exemplo) e jornais (alguns impressos do mundo e, no Brasil, a Folha de São Paulo).

Hoje, a banda larga permite ao usuário não depender de um provedor. Emails gratuitos, muitas vezes, possuem muito mais vantagens que os e-mails pagos. E muito do conteúdo que fazia parte do UOL já não é mais exclusivo do portal.

Uma vez que a internet é território (de certa forma) livre e infinito, o usuário pode encontrar o mesmo tipo de informação em outros portais e sites de graça. Ainda assim, muitos vêem a cobrança como única forma de equilibrar as contas e não ter prejuízo.

A web ainda não tem uma fórmula ideal para publicidade. Boa parte das tentativas acabaram ficando obsoletas e fracassadas com o passar do tempo. Exemplo disso são os famigerados popups, que tanto irritavam os internautas e, hoje, estão cada vez mais em desuso; a propaganda acabava tendo o efeito contrário do desejado.

Além disso, as empresas ainda têm certo receio com relação ao real impacto dos anúncios em ambiente online. As mídias tradicionais são sempre as favoritas para lançamentos de produtos e para as grandes campanhas. A verba para TV e mídia impressa é sempre muitas vezes maior que para web.

Mesmo com a crescente audiência da web, as interrogações ainda são muitas. Talvez sejam até maiores do que eram antes. O fato é que o medo pelo novo muitas vezes acaba gerando um atraso na “evolução” da internet. Penso que é possível lucrar com web sem haver cobrança pelo conteúdo. Oferecer conteúdo de qualidade demanda dinheiro. Mas, uma vez tendo qualidade, haverá mais audiência. E, em consequência, mais publicidade. Com a TV aberta sempre funcionou assim (apesar de nem sempre audiência ser sinônimo de qualidade), idem com o rádio.

A discussão sobre cobrança de conteúdo segue pelo mundo todo. E ainda está longe de acabar. Enquento isso, o internauta vai se adaptando às novas realidades da web, sempre aguardando pela melhor solução (com o melhor conteúdo).

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O que está mudando?

Achei este outro Impressão, nosso co-irmão...

Foto do jornal laboratório da Uni-BH

Por Tatiane Conceição

Fiquei pensando um bom tempo na questão do último exercício da turma. O que está mudando? Como o jornalismo vem sendo abalado pelas mudanças trazidas pelas novas tecnologias? Para tentar responder a esta pergunta, lembrei-me de 2000, ano em que iniciei meu curso de Jornalismo.

Não havia redes sociais; os sites jornalísticos brasileiros existiam, mas não com a mesma relevância dos dias de hoje; os blogs e twitters também ajudaram a moldar a força da época atual, na qual as relações humanas são mediadas por tecnologias e comunicações digitais.

Aliás, vale abordar o conceito de redes sociais, elaborado por Danah Boyd e Nicole Ellison: são serviços baseados na web, que permitem que indivíduos: 1) construam um perfil público ou semi-público com um sistema delimitado; 2) articulem uma lista de usuários, com quem eles compartilham uma conexão e 3) vejam e cruzem suas conexões e as conexões feitas por outras pessoas, por meio do sistema.

Neste cenário, a chamada “mídia tradicional” enfrenta dificuldades para se adaptar. Ela não dispõe do “monopólio da informação”, e agora precisa articular seu saber com outros produtores de conteúdo, entre eles os próprios usuários.

Um integrante da mídia tradicional, Ricardo Mendonça, repórter especial da Revista Época, fez, durante palestra, uma definição deste mal-estar: hoje existe uma “insegurança informativa”, na qual um jornal não fornece mais todo o conjunto de informações necessário para uma pessoa tomar decisões.

Existe ainda o dilema da viabilidade econômica dos veículos, já abordado neste blog, quando foi tratada, por exemplo, a polêmica entre buscadores e criadores de conteúdo (leia-se aqui, por exemplo, Rupert Murdoch x Google News).

Por fim, existe outra questão importantíssima, que também esteve aqui no Impressão, sobre a importância de se defender o acesso à comunicação digital como um direito fundamental do cidadão, algo pelo qual vem lutando, por exemplo, os membros do Fórum para a Cultura Digital.

Como diz José Murilo Carvalho Jr em artigo: “Abrir os processos de construção de políticas públicas na rede, facilitando a colaboração dos interessados, é uma iniciativa quase óbvia neste início de século. Promover a inovação distribuída em questões de governança pode qualificar a democracia, transformar a sociedade”.

Voltando para o início do post. Não sou a pessoa com a maior facilidade do mundo em utilizar os novos conteúdos tecnológicos (por exemplo, “apanhei” para buscar a foto que ilustra este post), mas, se estivesse parada no Jornalismo aprendido há dez anos, talvez não estivesse no mercado atualmente.

Acho que todos nós estamos “tateando” em busca de uma resposta que nos diga qual é o Jornalismo dos dias de hoje. Não acredito que o conteúdo digital irá substituir o papel – assim como a TV não substituiu o rádio – mas algumas habilidades são necessárias: testar, articular, compartilhar, cruzar informações, arriscar, deixar a arrogância de lado e se colocar como parte de uma comunidade. Talvez seja esta parte da resposta para a pergunta do título desta mensagem.

Cobrar ou não cobrar, eis a questão

Por Natalia Sarkis

Em entrevista ao site Adnews, Silvio Genesini, diretor-presidente do grupo Estado afirmou que a empresa não cobrará pelas notícias no site, embora não descarte a possibilidade do internauta ter que pagar outros tipos de informação, como banco de dados e reportagens segmentadas.

A questão do direito autoral é algo que sempre esteve presente desde as primeiras publicações de textos. No início, ao terem um texto impresso no jornal, estas preocupações não existiam. Hoje, entretanto, é um assunto muito mais discutido, principalmente com a rápida troca de informações que temos graças à internet.

O grande debate que gira em torno dessa mídia é se deve-se ou não cobrar pelo conteúdo disponível, em sua maior parte gratuito, de livre acesso a internautas do mundo inteiro. Aqueles que são a favor, dizem que é uma forma de proteger os autores do texto ou de qualquer outro produto cultural. Aqueles que são contra, afirmam que essa não será a melhor solução, além de dificilmente funcionar na web.

O mundo virtual é tão extenso e tão complexo que realmente será difícil fazer funcionar um ato de cobrança pelos conteúdos. Onde houver um site cobrando pela informação haverá outro a proporcionando de graça. Quem não se lembra dos primeiros programas de downloads de músicas; sempre que um era fechado pela violação de direito autoral (ou então passava a cobrar pela canção que o usuário estava baixando), surgia outro, com disponibilização gratuita dos arquivos.

O que os grandes veículos de comunicação não compreendem, é que a internet é muito mais do que uma nova mídia onde podem vender informação. A internet é um lugar onde as pessoas podem experimentar a troca livremente, sendo essa muito mais importante que a comercialização da notícia.

Quanto vale a informação?

 Por Fabio Ornelas

A discussão em torno da cobrança ou não dos conteúdos jornalísticos disponibilizados na internet, advinda da Declaração de Hamburgo, abre precedentes para uma série de reflexões.

À primeira vista, a cobrança por estes conteúdos parece ir de encontro à função primordial da internet: o da democratização da informação. Será que existe sentido falarmos de cobrança de notícias em uma rede de comunicação em que até obras literárias já estão sendo disponibilizadas gratuitamente (e na íntegra) a exemplo do que ocorre no site Domínio Publico?

E afinal de contas, quanto vale a informação? Como estipular o preço de uma notícia? Porque haveremos de pagar por notícias que hoje circulam gratuitamente por redes sociais como o Twitter? São muitos os questionamentos.

Particularmente, concordo com o Paulo Rosa Neto, editor-chefe do Adnews, que afirma que “essas novas “regras” são formas de salvamento das mídias tradicionais, que já migraram para a internet, mas ainda não se adaptaram totalmente ao mundo digital”.

A maioria esmagadora dos meios de comunicação tradicionais (jornais, revistas, etc..) ainda mantêm a prática nada estimulante de transpor seus conteúdos na íntegra para a internet, sem qualquer adaptação ou incremento ao meio eletrônico. Você provavelmente já deve ter se perguntado por que continuar comprando um jornal ou uma revista nas bancas se é possível lê-los na internet sem pagar absolutamente nada. Por outro lado, por que pagar por estes mesmos conteúdos na rede quando você já os leu no jornal ou na revista antes? É uma faca de dois gumes.

A declaração de Hamburgo fala que a prática da gratuidade da informação disponível na net “põe em risco a criação de conteúdos de alta qualidade e o próprio jornalismo independente”. Mas a que qualidade a declaração se refere haja vista que até mesmo as mais conceituadas empresas jornalísticas se limitam apenas a fazer um Control+C/Control+V de seus conteúdos tradicionais?

Com base nisso, creio que a cobrança de conteúdos informativos na rede só terá sentido a partir do momento em que as empresas de comunicação passarem a investir maciçamente em conteúdos exclusivos (e aprofundados) para a internet. Uma solução viável talvez seja continuar disponibilizando notícias gratuitas  e paralelamente cobrar por matérias mais aprofundadas produzidas exclusivamente para a rede.

Vale observar ainda que a Declaração de Hamburgo defende o jornalismo independente (“não há democracia sem jornalismo independente”) mas refere-se apenas ao jornalismo profissional (“a internet é uma grande oportunidade para o jornalismo profissional”) ignorando totalmente o emergente “jornalismo cidadão”.

Não seria a declaração, portanto, um recurso para inibir a produção espontânea de conteúdo jornalístico pelo cidadão comum, como se este não fosse um genuíno representante do jornalismo independente e capaz de produzir também conteúdos de qualidade?

Ainda há muito o que se questionar.

Exercício #5

Conteúdo fechado – Uma atitude desesperada

Por Marina Gazzoni

A cobrança de conteúdo on-line pelas empresas de comunicação, como defende o presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, é uma batalha perdida. Primeiro, porque a cultura de leitura gratuita na internet já está consolidada. Segundo, porque sempre haverá quem oferecerá informação sem custos para o leitor.

Hoje mesmo isso já acontece. O conteúdo da Folha de São Paulo, por exemplo, está disponível na internet apenas para assinantes do jornal ou do Uol. No entanto, diversos blogs e sites replicam as reportagens do dia na íntegra, oferecendo o mesmo texto gratuitamente para o leitor que fizer uma pesquisa simples no Google.

Cobrar pelo conteúdo on-line é uma atitude desesperada das empresas de comunicação para garantir a receita do seu negócio. É uma decisão errada, pois poucas pessoas estão dispostas a pagar por uma informaçao que terão gratuitamente em sites, blogs, na televisão ou em veículos alternativos.

Esse erro acontece porque os empresários do setor frequentemente comparam os sites informativos com jornais diários, que custam para o leitor. Na minha opinião, compará-los à televisão é mais adequado e trará também uma visão diferente de como financiar o conteúdo on-line.

O conteúdo da televisão também é gratuito para o telespectador, mas a penetração do veículo em massa e a capacidade de atingir um público segmentado conforme a programação faz o veículo despontar como emissor de mensagens publicitárias. Da mesma forma que ocorre com a televisão, creio que a publicidade é ainda a melhor forma de viabilizar a produção de conteúdo jornalístico on-line. Na minha opinião, ainda há um potencial muito grande inexplorado para o desenvolvimento da publicidade na internet, que ganha força com a redução do custo de computadores e de banda larga, massificando o veículo.

Assim como ocorre com a televisão a cabo, creio que há espaço para conteúdos exclusivos na internet. Mas esses precisam ter uma qualidade superior ao que é oferecido gratuitamente e atingir um nicho específico. Um veículo que explora bem esse conceito é a Agência Estado, que oferece conteúdos exclusivos e serviços personalizados para clientes do mercado financeiro. O que realmente não será possível é cobrar pelo feijão com arroz.

Sérgio Rizzo no Twitter

Por Natalia Sarkis

“Jornalista, crítico de cinema e professor”. É assim que o próprio Sérgio Rizzo se apresenta no twitter. Quando decidi analisar o perfil dele, pensei que encontraria muitos tweets relacionados ao cinema, por se tratar do assunto que mais gira em torno dele. Engano meu.

O seu perfil é muito variados; há desde tópicos sobre o próprio cinema chegando até o futebol, passando por cursos, conversas, respostas de seguidores e assuntos gerais.

Na última, semana, Rizzo tweetou muito sobre futebol. O tema? A famosa mão de Thierry Henry que garantiu a vaga da França na Copa do Mundo de 2010. O assunto rendeu comentários somente sobre ele em um dia inteiro.

Outro ponto é que o jornalista atualiza seu microblog diariamente, e não somente uma vez. Retweets, na maioria das vezes com comentários, não são difíceis de encontrar. Sempre que julga que há algo de interesse e que merece destaque, ele repassa para as pessoas que o seguem.

Nos textos lidos, não há nenhum link colocado para uma matéria, ou artigo assinado pelo autor. Também se pode notar um cuidado no momento de publicar alguma notícia. Percebe-se que tudo o que é repassado diz respeito a algo que já foi publicado previamente.

O twitter de Rizzo é muito dinâmico e abrange. Ele acaba evitando a monotonia ao explorar vários assuntos. Além disso, interage muito bem com seus seguidores, tirando dúvidas de seus seguidores. Em fim, acredito que ele realmente entendeu a real função da plataforma.

Exercício #3 – questão 3

Arnaldo Jabor decepciona no Twitter

Por Fabio Ornelas (#faornelas)

O perfil do Arnaldo Jabor no Twitter é tão fraco que, à primeira vista, nos leva até a desconfiar se foi ele mesmo quem criou a conta. “O cineasta com complexo de jornalista, e vice-versa” (como ele mesmo se autodenomina em sua biografia no site), famoso por seus discursos mirabolantes na rede de televisão, parece não ter encontrado voz na rede social. Ou talvez a limitação de 140 caracteres por postagem tenha podado a sua criatividade.

Sua última postagem no microblog data do dia 4 de setembro. Trata-se de um link para sua página de colunas no portal Globo.com, que também não passa de uma coletânea de reproduções de seus comentários rocambolescos apresentados no Jornal Nacional. Será que o cineasta-jornalista resolveu tirar férias e repousar na rede social? (talvez isso justifique o papel de parede praiano que ele escolheu para ilustrar o fundo da página) Ou será que o mesmo, jornalista-cineasta, resolveu se contentar em fazer do Twitter um mero link para divulgação de suas colunas?

O fato é que o Arnaldo Jabor, que é inegavelmente criativo, tem desperdiçado o potencial jornalístico do Twitter, limitando-se a utilizar a ferramenta como mero veículo de promoção do seu trabalho na TV. Acontece que, enquanto suas colunas são atualizadas no site da Globo.com, seu perfil no Twitter ficou engessado e não apresenta nenhuma novidade. Seria interessante ver o jornalista expressar suas opiniões sobre os acontecimentos mais recentes (como o apagão que tomou conta do país, ou a polêmica da Uniban) também no microblog. Seria inclusive uma maneira do comentarista, acostumado a falar pelos cotovelos, exercer a concisão. Mas o Jabor sequer definiu se ele representa ele mesmo no Twitter ou o veículo para o qual ele trabalha. Mais grave ainda é a total falta de interatividade, pois quase não há qualquer vestígio de interação com seus seguidos e seguidores.

Investigando algumas postagens anteriores do jornalista, fica evidente o descaso com o microblog: “Devo me desculpar com meus seguidores pela falta de tempo e da falta de conteúdo depositado aqui, e estou na dúvida se continuo por aqui”; “Não gosto de assumir compromissos que não consigo cumprir” (13 de Agosto). “Não pretendo divulgar nada por aqui, apenas deixar o fluxo da vida digital seguir livremente…” (14 de julho), ou ainda “Havia me esquecido desta minha aquisição eletrônica, e me surpreendi quando avistei algumas pessoas como meus ditos “followers”…” (23 de julho).

E para quem tem curiosidade em saber o que o jornalista acha do microblog, basta recorrer a seu post do dia 30 de julho:  “Twitter é o paraíso dos poetas e filósofos de pensamentos limitados e de frases feitas, que soam como uma obra-prima aos ouvidos leigos”.

Precisa dizer mais?

Exercício # 3.3