Do papel para as telas

Por Ismara Cardoso

Acredito que todos já ouviram falar de “O Retrato de Dorian Gray“, obra do magnífico Oscar Wilde. No ano de 2009, o livro do século XIX ganhou mais uma adaptação para o cinema, pelas mãos e visão do diretor Oliver Parker. A versão chama atenção por uma narrativa contemporânea, mais ligada ao entretenimento, de tal forma que apenas a premissa de Wilde sobrevive, não sua linguagem e moral.

O filme gira em torno da história central: o quadro, feito por seu amigo Basil Haward, com a pintura de Dorian carrega todo o fardo da velhice e dos seus pecados no lugar do próprio jovem. Deixando assim, a indignação e ao mesmo tempo a admiração dos personagens para com o rapaz. O filme adota o gênero melodramático, no qual o jovem parece ser vítima da sociedade e de violência sofrida na infância. Ele segue uma “aventura”, mas não se sabe ao certo o motivo. O roteiro, assinado por Toby Finlay, acaba optando por um tema menos crítico, dando espaço à violência e sexualidade apelativa, vivida e explorada por um jovem facilmente manipulável.

Já o romance é voltado a um gênero mais trágico e dramático. O livro reúne personagens da aristocracia, e através da forte personalidade de cada um provoca reflexão sobre o sentido da existência e hipocrisia humana. Oscar Wilde sempre adota a ironia para criticar a sociedade, principalmente através do personagem Lord Henry, que é responsável por formar o caráter e convencer Dorian Gray a gozar a vida por meio do “dom” da beleza. Porém, o livro em nenhum momento mostra personagens apáticos e sem alguma participação relevante à obra, como no empobrecido roteiro do filme. Convido a todos para que leiam o livro, se envolvam com os personagens e depois assistam ao filme, só a nível de curiosidade e crítica, claro.

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Remix ou Plágio?

“Nada se cria, tudo se copia” Esta frase nunca esteve tão na moda, em tempos de internet de banda larga. Mas, internet? O que a internet tem haver com essa frase? Calma leitor, eu explico: Em se tratando da (des)informação, a internet teve, tem, e sempre terá, um papel preponderante na história da humanidade. Seja para esclarecer, ou confundir de vez. E não podemos negar que ficou muito mais acessível uma “conexão” com o mundo aí fora. Informações sobre diferentes assuntos chegam a toda hora ao conhecimento do internauta de diversas formas.
Então, vamos pegar a frase do começo desse texto, pois afinal, é o mote aqui proposto: Estava eu conectado com o mundo quando descobri que o famoso filme de George Lucas, Stars Wars Episódio IV Uma Nova Esperança, reúne uma série de cenas semelhantes de outros filmes e séries, anteriores à famosa trilogia do diretor. Vale ressaltar que Star Wars é de 1977 e fez parte da primeira trilogia de George Lucas. Os fãs incondicionais do filme devem estar me odiando agora, mas é a pura verdade. Em Guerra nas Estrelas — traduzida para o português —, encontramos cenas semelhantes aos filmes: 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), Metropolis (1927), The 7th Voyage of Sinbad (1968) Forbidden Planet (1956), Sillent Running (1972), Triunph of The Will (1935), aos filmes de Akira Kurosawa e também a série Flashgordon. Mas calma meus caros fãs de Star Wars. Existe uma atenuante: George Lucas sempre deixou muito claro que se inspirou em outros filmes e séries para criar suas obras.
Portanto, podemos concluir que um dos filmes mais famosos da história de Hollywood é um remix. Remix pra quem não sabe, nada mais é do que combinar ou editar materiais existentes para produzir algo novo. Diferente de plágio, muito embora o limite entre um e outro seja estreitíssimo.
Na música, os remixes e os plágios são muito mais comuns. A música Under Pressure da banda inglesa Queen, é um bom exemplo disso. Under Pressure que foi composta pelo gênio e vocalista da banda, Freddy Mercury, foi lançada em 26 de outubro de 1981. Ela conta também com a participação do não menos David Bowie. Nove anos mais tarde, ou seja, em 1990, um grupo de hip hop chamado Vanilla Ice’s lançou o single Ice Ice Baby. O curioso disso é que a base musical de Ice Ice Baby é muito semelhante de Under Pressure. Todavia, o grupo Vanilla Ice’s negou essa semelhança dizendo que Ice Ice Baby possui uma nota a mais.
Daí a pergunta: Remix ou Plágio? Tirem suas conclusões.
Por Frank Lima


A arte de recontar uma história musicada

Por Verônica Rocha

A arte de captar elementos de algo já existente para produzir algo novo não é nenhuma novidade. O termo “Nada se cria, tudo se copia” é mais presente do que parece. A começar pela moda que utiliza tendências do passado para criar algo “futurista”, a fotografia que nasceu da pintura, as músicas que hoje em dia são criticadas e acusadas de plágio.

A quantidade de remixes em todos os planos criados pelo homem é muito vasta, porém, algumas não são tão perceptíveis ao primeiro olhar.

Ao fazer análises de algumas músicas, é possível encontrar semelhanças na introdução de “Teatro dos Vampiros” (1991) da Banda Legião Urbana com “Light My Fire” (1966) da banda britânica, The Doors. São vinte e cinco anos de diferença entre as duas músicas, a época também era outra, assim como os valores, mas escute os primeiros segundos das duas canções.

Mas não só de semelhanças vivem os remixes. Existem artistas que escolhem uma música e colocam a sua identidade nela transformando-a por completo. Um exemplo clássico da adaptação, ou melhor, a “re-criação” de um projeto é a música “Sweet Dreams” do Eurythmics (1983) na versão de Marylin Manson (2005). Veja como ficou diferente:

Remix ou não, o importante é analisar que apesar das semelhanças a mudança, em alguns casos é sempre muito bem vinda.

Pottermore: a magia continuará?

O último filme da franquia Harry Potter, “Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2”, estreou no dia 15 deste mês. Os catazes de divulgação expressavam o pensamento que estava na cabeça de muitos fãs das histórias do bruxo: “It all ends” (Tudo termina). Com esse último filme da série, termina o primeiro ciclo de sucesso da história da inglesa J.K. Rowling que se iniciou com o lançamento do primeiro livro, “Harry Potter and the Philosophical Stone” (Harry Potter e a Pedra Filosofal) em 1997.

De lá pra cá, a franquia tem sido um exemplo de sintonia com os novos formatos e relacionamentos entre as mídias.  O livro rapidamente se desdobrou em outros produtos culturais como filmes, audiobooks, jogos  para diversas plataformas de videogames e computadores, num processo que chamamos de transmidialidade. Os fãs, expontaneamente, também fizeram sua parte com as fanfics, histórias criadas por eles que utilizam os personagens e lugares ou – mais interessante –  preenchem certas lacunas que não foram esclarecidas na história oficial. E agora temos Pottermore, a nova iniciativa que confirma esse envolvimento com as novas possibilidades de se contar uma história em nossa sociedade conectada e digital.

Não se sabe muitos detalhes sobre Pottermore. O  vídeo de divulgação protagonizado pela própria autora fala de “um experiência digital como nenhum outra”. Promessa difícil. Os rumores indicam que o site ampliará o  universo ficcional iniciado nos livros incluindo conteúdos sobre os diversos personagens, lugares e coisas citados apenas superficialmente. Parece que o sistema funcionará também como uma espécie de rede social, agregando os fãs do mundo bruxo e talvez até permitindo que eles contribuam com conteúdos que se tornariam oficiais – ou seja, uma institucionalização da prática do fanfic. Na parte comercial, a plataforma servirá para a comercialização de audiobooks e e-books

É uma bela aposta. Embora Harry Potter tenha agremiado fãs de todas as idades, aqueles que se identificaram com o jovem ingressando no mundo da magia há 13 anos atrás hoje são jovens adultos. Altamente conectados à Rede e as suas redes sociais, esses fãs talvez já não respondam tão bem a formas mais tradicionais de se continuar essa história – ironicamente, os livros. Esse foi provavelmente foi a razão do discreto fracasso de vendas de “Contos de Beedle, o Bardo”, lançado por J.K. Rowling após o término da saga principal. Embora o número de exemplares vendidos seria motivo de comemoração no caso de qualquer outro autor de fantasia, foi muito aquém do potencial esperado por se tratar de um lançamento ligado a essa franquia tão amada.

É uma tentativa de sintonizar com os hábitos e necessidades desse público após fazer sua lição de casa de modo correto com o suo de transmídias. Harry Potter é uma franquia seguidora dos passos de outras do mesmo calibre como Star Wars, que deu os primeiros passos para expandir os limites de seu universo ficcional e que, com a participação de seus fãs, adquiriu uma força descomunal tanto comercial quanto simbólica.

A estratégia de agregar as redes sociais digitais e a participação de seu público faz sentido e, considerando a força da franquia, pode representar uma importante contribuição para desenvolvimento de modelos diferentes de usar as diversas mídias em favor de um universo ficcional e seus leitores. Não se engane quanto ao risco da empreitada: há muitas coisas que podem dar errado. Os fãs podem não entrar em sintonia com esse formato ou com os novos conteúdos. A escritora e os produtores podem se assustar com a participação do púbico e cair no erro de tentar controlar o incontrolável. E há tantos outros problemas que podem acontecer devido à escala do projeto e o interesse do público envolvido que não me atrevo a prever.

Pottermore será aberto ao público em geral em outubro desse ano. Aí, poderemos ver no como a história vai continuar dali em diante.

 

Marca Amiga: Kiss FM

Podemos dizer que todos os sites das rádios de frequência modulada no segmento jovem e adulto de  São Paulo, e porque não dizer de todo o Brasil, apresentam as mesmas característas. E o site da rádio Kiss FM não é  diferente. Principalmente no que se refere aos recursos 2.0. Aliás, principal característica entre as rádios. Por exemplo: No site da Kiss, você encontra as duas redes sociais mais usadas: twitter e facebook, muito embora você não observe de forma tão  explicita essas duas redes sociais.

 O site apresenta também uma interação que chama muito a atenção com relação à música, ou seja, a existência de um ícone igual ao do facebook (curtir/não curtir), representado por dois símbolos. O uso desses ícones é muito simples, ou seja, caso você tenha gostado de uma determinada música, que esteja tocando naquele exato momento, é só clicar em curtir, caso contrário, clicar em não curtir.

Cada locutor da emissora posta o seu blog no site, podendo o  ouvinte  comentar sobre os blogs.

Como todo site de rádio FM, a Kiss também apresenta a sua galeria de fotos, a lista do seu hit parade, notícias, promoções, enquetes etc.

Fazendo um comparativo com o site de outra rádio FM líder de audiência no segmento jovem, a Mix, podemos observar algumas diferenças: No campo visual o site da Mix é muito mais atrativo. Com relação às redes sociais, a Mix apresenta além do twitter e facebook, você encontra  o Orkut, Youtube e o Flickr.

Embora não tenha tantos atrativos visuais como os sites de outras rádios, podemos concluir que o site da Kiss também atende todas as necessidades “básicas” do ouvinte internauta, ou seja, interação, diversão, entretenimento, promoção, informação, e principalmente, música, pois afinal, estamos falando de rádio.

Por Frank Lima

Novas formas de ler o mundo

Real, virtual, interatividade, possibilidades, limites. Palavras permeiam em nossa mente, vivendo em um mundo cada vez mais conectado, com gerações cada vez mais hiperlinkadas e não-lineares. Através de estudos de caso, vídeos, blogs, matérias, livros, várias de fontes de informação e exemplares como forma de ilustrar este trabalho, pretendo pesquisar as possibilidades do mundo virtual com o real. Focando no alcance que empresas e pessoas possuem hoje com tantas redes e aplicativos e as práticas nas plataformas digitais como forma de consolidar uma imagem.

Tudo está mudando. Lendo a Revista Piauí, vejo a inevitável notícia: “Fim de linha, em maio de 2011, fecha a última fábrica de máquina de escrever mecânica do mundo”. Convenhamos que ninguém da nossa geração usava essa ferramenta, mas é triste saber que um aparelho tão (charmoso, não?) importante e revolucionário para a época em que foi criado, tenha acabado.

Essa notícia simplesmente apoia a ideia de que realmente os meios de comunicação estão se transformando, uns sumindo, outros se adaptando. Está na hora de empresas e organizações se adaptarem também, a fim de conseguir uma forma de manter a comunicação com seu público.

A revista Goumert, por exemplo, encerrou suas atividades em outubro de 2009. Nada impediu que, com o avanço da tecnologia, e claro, o surgimento do tablet, ela voltasse à ativa em um novo formato: o eletrônico. Matérias, receitas, fotos, vídeos, tudo está presente agora no iPad. O desafio é mudar de plataforma, do papel para o digital. A revista não seguirá os modelos da antiga impressão nem do site, que também encerrou as atividades em outubro. Confiram o resultado.

Já que falamos em iPad, recentemente conheci o projeto do músico e professor Neil Johnston que incentiva, a partir de novas tecnologias, crianças a tocar instrumentos, compor músicas e se divertir com o aprendizado. O professor levou 24 iPads para a sala de aula criando uma espécie de “orquestra digital” com os alunos.

O resultado foi uma aula descontraída, onde os alunos realmente se empenharam na composição e mostraram interesse nas descobertas junto ao tablet. Claro, quer maneira mais inovadora e divertida de aprender um instrumento musical do que essa?

Já o ilustrador da Pixar William Joyce, desenvolveu um livro-aplicativo para a famosa animação The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore. A intenção de Joyce é “quebrar as barreiras entre livro e animação” (Fast Company).

Esses projetos não mostram somente as possibilidades interativas das novas plataformas, mas também o poder educacional e funcional que elas podem disponibilizar, sabendo como utilizá-las.

 

Por Ismara Cardoso

Informação: nova forma de consumir, novo jeito de produzir

por Douglas Barros Meira

Responda: você é um produtor ou consumidor de conteúdo?

Com a popularização das novas mídias, têm sido quebradas as barreiras que separam (ou separavam) uma função da outra. De fato, a realidade atual das mídias online, marcada pela colaboração e pelo compartilhamento, aponta que quem produz e quem consome podem ser a mesma pessoa.

Os hábitos de consumo da informação, ou a maneira como ela é recebida, utilizada e compartilhada por cada pessoa, sempre sofreram mudanças ao longo dos tempos. Isto de acordo com a plataforma (rádio, TV, internet) e a inovação que ela é capaz de gerar. Hoje, contudo, a irrefreável popularização de blogs, redes sociais e sites colaborativos provoca transformações sem precedentes nesse processo evolutivo.

Como se sabe, com as novas mídias, muito além de reter conhecimento e compartilhá-lo no “boca a boca” com o vizinho que está por perto, o internauta pode produzi-lo e disseminá-lo on e offline, com um grande potencial de reverberação e de maneira relevante. De quebra, é cada vez menor a participação da mídia tradicional para que uma mensagem advinda de uma pessoa comum chegue aos olhos e ouvidos de milhões de pessoas.

Tudo isto se reflete nos hábitos de cada um. Para ampliar o conhecimento em torno de algum assunto, os internautas hoje param para escolher entre consultar o portal de uma publicação tradicional, um blog ou uma base de informações alimentada de forma colaborativa.

Os números mostram que a consolidação das novas mídias como fonte de informação relevante é uma realidade da qual não se pode fugir. Segundo dados da comScore, atualmente 99% dos internautas brasileiros (aproximadamente 45 milhões de pessoas) acessam redes sociais, responsáveis por quase 25 bilhões de visualizações de websites no País só em março de 2011. Já os blogs são visitados por 78% dos internautas daqui. Veja aqui e aqui alguns dos principais dados do estudo da comScore.

Esse cenário tem exigido uma nova postura dos profissionais envolvidos na cadeia produtiva da informação. É necessário produzi-la e divulgá-la de acordo com o perfil de seus novos consumidores, exatamente os usuários das novas mídias. Pesquisas mostram que as maiores atenções são dedicadas a conteúdos que misturam texto, fotos, áudio e vídeo, e sempre com abertura para que sejam compartilhados internet afora.

A popularização das novas mídias e o intenso consumo da informação causam mudanças também na distribuição do bolo publicitário. De acordo com o estudo Global Entertainment and Media Outlook: 2010-2014, realizado pela consultoria PwC, a receita publicitária global na internet deve passar os jornais nesse quesito em questão de meses.

A estimativa até 2014, com base em dados de mercado de 48 países, é de que a internet concentre mais de US$ 100 bilhões em investimentos publicitários (21% dentre todas as mídias), atrás apenas da televisão (mais de US$ 180 bilhões, ou 37%) e bem à frente dos jornais (US$ 80 bilhões, ou 16% do total).

Isto irá acontecer porque a internet apresenta o maior índice de crescimento em receita publicitária dentre todas as mídias – a uma média de 11,4% de 2010 a 2014, segundo a PwC. A pesquisa ainda coloca os países emergentes, incluindo o Brasil, na linha de frente da expansão da mídia e do entretenimento mundiais. Pois é: aqueles 45 milhões de brasileiros que utilizam redes sociais contribuem diretamente para o crescimento global da web.

Esse vídeo, da série “Social Media Revolution”, ajuda a resumir em poucos minutos o impacto das redes sociais na vida das pessoas.