Archive for the ‘ Virou história ’ Category

Robert Kennedy já defendia fim de bloqueio a Cuba em 1963

Por Marina Gazzoni

Robert Kennedy

O ex-ministro da Justiça dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy, tentou acabar com a proibição aos cidadãos americanos de viajar a Cuba. Ele elaborou um memorando com a decisão no dia 13 de dezembro de 1963. RFK é um dos dois irmãos mais novos do ex-presidente John F. Kennedy.

O então presidente americano, Lyndon Johnson, preferiu seguir os conselhos de McGeorge Bundy, seu assessor especial para Assuntos de Segurança Nacional. Bundy temia a disseminação de “ideias subversivzs” entre os turistas americanos e conseguiu convencer Johnson a manter a restrição a viagens a Ilha imposta no mandato de Dwight Eisenhower (1953-1960).

A informação está no artigo publicado por Kathleen Kennedy Townsend, filha de Robert Kennedy, no Washington Post, no dia 23 de abril deste ano. No texto, Kathleen pede ao atual presidente americano, Barack Obama, para defender o fim da proibição de viagens a Cuba.

O site The National Security Archive reúne quatro documentos que mostram como a questão foi discutida na década de 60, no governo Johnson. No memorando pró desbloqueio a Cuba, o principal argumento de Kennedy foi que “a restrição a viagens não consiste com o tradiconal liberalismo americano”.

Barack Obama

Um passo a frente nessa questão foi dado neste ano, quando Obama finalmente permitiu viagens ilimitadas a Ilha e o envio de remessas em dinheiro a parentes de americanos no país.

Mas ao pensar em todas as expectativas de mudanças criadas com a ascensão de Obama à presidência dos EUA, o avanço parece pequeno.

Cuba ainda enfrenta um embargo comercial dos EUA que se estende por 47 anos, como herança de uma Guerra Fria que já ficou pra trás. Falta muito para mudar. Can we?

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Uma história recente quase sem memória

Por Leandro Cacossi

Genocídio

Um dos eventos mais trágicos dos últimos vinte anos, certamente, não teve a dimensão e propagação que deveria tido. A guerra civil instaurada no país africano de Ruanda aconteceu em 1994 e, mesmo numa era em que a mídia televisiva já era muito avançada tecnologicamente, pouco foi exibida para o mundo. Ainda assim, deixou marcas até hoje sentidas profundamente na sociedade local.

Ruanda é, basicamente, formada por 2 grupos étnicos que, apesar das mesmas origens, têm princípios diferentes: tutsis e hutus. Ao longo de todo o século XX, os hutus praticamente sempre tiveram o poder em suas mãos.Muitos tutsis acabaram exilados e acuados. Até que, em 1993, um acordo de paz foi selado e acabou-se criando um governo de transição. Apesar disso, no ano seguinte, tropas hutus extremistas (chamadas Interahamwe) revoltaram-se e acabaram matando cerca de 800 mil pessoas, entre presidentes, gente do governo e civis.

O National Security Archive, organização independente com base em Washington, nos Estados Unidos, analisou a atuação estadunidense no episódio. Destaca a pouca vontade de intervenção do então governo Clinton. Informações apontam que os Estados Unidos tinham informações suficientes para evitar, inclusive, o início dos ataques dos Interahamwe. O fato é que não havia um interesse direto estadunidense em nada que envolvia Ruanda. Na época haviam outros confrontos que chamavam mais a atenção de Clinton (como os da Bósnia, por exemplo).

Um relatório mais aprofundado acerca da questão Ruanda X EUA pode ser lido no site do National Security Archive. Também um bom meio de conhecer a história dos confrontos de Ruanda é o longa “Hotel Ruanda” , que retrata a história real de um gerente de hotel que consegui salvar cerca de 1200 vidas em meio aos conflitos.

(exercício #2 -aula de 7/11)

Forças militares colombianas sob suspeita de apoiar massacre histórico.

Por Fabio Ornelas

massacre 

Segundo arquivo publicado no site da National Security Archive, os Estados Unidos investigam o possível envolvimento das forças militares da Colômbia no massacre de El Salado, uma das mais terríveis e indiscriminadas atrocidades da história colombiana, ocorrida em fevereiro do ano 2000, quando os dois países estavam em negociação para acertar os ajustes finais do pacote de auxílio militar conhecido como Plano Colômbia.

Os massacres, promovidos por um exército paramilitar ilegal que se autodenomina  Forças Unidas de Autodefesa da Colômbia (AUC), duraram cinco dias, período em que centenas destes militares avançaram sobre El Salado, dentre outras cidades locais, deixando para trás um rastro de tortura, terror e sangue, que levou 60 pessoas à morte e deixou milhares de desabrigados, como mostra uma série de depoimentos colhidos para um especial de TV promovido pela Semana, principal revista periódica da Colômbia.

Mas enquanto os mentores do terrível massacre foram identificados já faz muito tempo, o potencial envolvimento das forças militares da Colômbia ainda não foi totalmente esclarecido. Oficiais americanos alegam ter motivos para acreditar que as forças militares colombianas facilitaram o massacre ao evacuar  a cidade antes da carnificina começar e ao construir bloqueios nas estradas para retardar a chegada de auxílio humanitário. Isto porque estavam em jogo as negociações do Plano Colômbia.

Estas alegações corroborariam com o relato La Masacre de El Salado: Esa Guerra No Era Nuestra” , produzido pela Memoria Histórica, um grupo independente encarregado pela Comissão Nacional em Reparações e Reconciliações da Colômbia de investigar e publicar a história da luta armada no país.

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Criança colombiana exibe cópia do relato “La Masacre de El Salado: Esa Guerra No Era Nuestra”