Archive for the ‘ Jornalismo Online ’ Category

Redes Sociais: Indivíduos e seus conjuntos

Por Valeria Bursztein

A partir do texto Social Network Sites: Definition, History, and Scholarship, realizado por Danah M. Boyd e Nicole B. Ellison, e que oferece um a profunda pesquisa sobre as particularidades dos sites de rede sociais, várias questões podem ser pinçadas.

Na definição das autoras sites de redes sociais são serviços baseados na Web que possibilitam aos indivíduos construir perfis públicos ou parcialmente públicos em um sistema, articular uma lista de outros usuários com quem estabelecem contato e compartilham conexões, e visualizar e interferir nas listas de conexões feitas por outros usuários do mesmo sistema.

A diferença desses sites é que permitir a articulação e a visualização das redes dos próprios usuários, integrando, assim, não apenas indivíduos, mas também suas redes próprias sociais. Em uma idéia mais abstrata: trata-se da “socialização do socializado”.

Outro aspecto interessante que o texto aponta é a possibilidade que esses oferecem de recriar uma personalidade ao abrirem a opção (muitas vezes obrigatória) de detalhar ao nível da minúcia o perfil do usuário. É o que as autoras chamam de “type oneself into being”, em referência a Sundén.

Obviamente, essa orientação para o detalhamento de características e preferências não é gratuito. Perfis em sites de relacionamento ditam tendências de consumo de grupos – há de lembrar que as relações já estão definidas nesses sites, o que implica de imediato em algum tipo de comportamento, ambientação ou mesmo passado em comum e que pode ser decodificado a favor das ações de marketing de qualquer empresa que se expressa diretamente ao consumidor final.

Com pouco mais de uma década de existência, os sites de redes sociais viveram uma transformação da tipificação dos contatos entre seus usuários, que passaram de desconhecido-desconhecido para amigo-amigo e abriram possibilidades conceituais e técnicas para absorver a nova demanda pela personalização dos recursos.

Mas é preciso ter em mente que, mesmo que os sites de redes sociais nasçam via de regra como comunidades específicas e cresçam posteriormente para comunidades de comunidades, a organização sempre tem como base o indivíduo/usuário, a partir dos quais qualquer associação é possível.

Cobrar ou não cobrar, eis a questão

Por Natalia Sarkis

Em entrevista ao site Adnews, Silvio Genesini, diretor-presidente do grupo Estado afirmou que a empresa não cobrará pelas notícias no site, embora não descarte a possibilidade do internauta ter que pagar outros tipos de informação, como banco de dados e reportagens segmentadas.

A questão do direito autoral é algo que sempre esteve presente desde as primeiras publicações de textos. No início, ao terem um texto impresso no jornal, estas preocupações não existiam. Hoje, entretanto, é um assunto muito mais discutido, principalmente com a rápida troca de informações que temos graças à internet.

O grande debate que gira em torno dessa mídia é se deve-se ou não cobrar pelo conteúdo disponível, em sua maior parte gratuito, de livre acesso a internautas do mundo inteiro. Aqueles que são a favor, dizem que é uma forma de proteger os autores do texto ou de qualquer outro produto cultural. Aqueles que são contra, afirmam que essa não será a melhor solução, além de dificilmente funcionar na web.

O mundo virtual é tão extenso e tão complexo que realmente será difícil fazer funcionar um ato de cobrança pelos conteúdos. Onde houver um site cobrando pela informação haverá outro a proporcionando de graça. Quem não se lembra dos primeiros programas de downloads de músicas; sempre que um era fechado pela violação de direito autoral (ou então passava a cobrar pela canção que o usuário estava baixando), surgia outro, com disponibilização gratuita dos arquivos.

O que os grandes veículos de comunicação não compreendem, é que a internet é muito mais do que uma nova mídia onde podem vender informação. A internet é um lugar onde as pessoas podem experimentar a troca livremente, sendo essa muito mais importante que a comercialização da notícia.

Quanto vale a informação?

 Por Fabio Ornelas

A discussão em torno da cobrança ou não dos conteúdos jornalísticos disponibilizados na internet, advinda da Declaração de Hamburgo, abre precedentes para uma série de reflexões.

À primeira vista, a cobrança por estes conteúdos parece ir de encontro à função primordial da internet: o da democratização da informação. Será que existe sentido falarmos de cobrança de notícias em uma rede de comunicação em que até obras literárias já estão sendo disponibilizadas gratuitamente (e na íntegra) a exemplo do que ocorre no site Domínio Publico?

E afinal de contas, quanto vale a informação? Como estipular o preço de uma notícia? Porque haveremos de pagar por notícias que hoje circulam gratuitamente por redes sociais como o Twitter? São muitos os questionamentos.

Particularmente, concordo com o Paulo Rosa Neto, editor-chefe do Adnews, que afirma que “essas novas “regras” são formas de salvamento das mídias tradicionais, que já migraram para a internet, mas ainda não se adaptaram totalmente ao mundo digital”.

A maioria esmagadora dos meios de comunicação tradicionais (jornais, revistas, etc..) ainda mantêm a prática nada estimulante de transpor seus conteúdos na íntegra para a internet, sem qualquer adaptação ou incremento ao meio eletrônico. Você provavelmente já deve ter se perguntado por que continuar comprando um jornal ou uma revista nas bancas se é possível lê-los na internet sem pagar absolutamente nada. Por outro lado, por que pagar por estes mesmos conteúdos na rede quando você já os leu no jornal ou na revista antes? É uma faca de dois gumes.

A declaração de Hamburgo fala que a prática da gratuidade da informação disponível na net “põe em risco a criação de conteúdos de alta qualidade e o próprio jornalismo independente”. Mas a que qualidade a declaração se refere haja vista que até mesmo as mais conceituadas empresas jornalísticas se limitam apenas a fazer um Control+C/Control+V de seus conteúdos tradicionais?

Com base nisso, creio que a cobrança de conteúdos informativos na rede só terá sentido a partir do momento em que as empresas de comunicação passarem a investir maciçamente em conteúdos exclusivos (e aprofundados) para a internet. Uma solução viável talvez seja continuar disponibilizando notícias gratuitas  e paralelamente cobrar por matérias mais aprofundadas produzidas exclusivamente para a rede.

Vale observar ainda que a Declaração de Hamburgo defende o jornalismo independente (“não há democracia sem jornalismo independente”) mas refere-se apenas ao jornalismo profissional (“a internet é uma grande oportunidade para o jornalismo profissional”) ignorando totalmente o emergente “jornalismo cidadão”.

Não seria a declaração, portanto, um recurso para inibir a produção espontânea de conteúdo jornalístico pelo cidadão comum, como se este não fosse um genuíno representante do jornalismo independente e capaz de produzir também conteúdos de qualidade?

Ainda há muito o que se questionar.

Exercício #5

Conteúdo fechado – Uma atitude desesperada

Por Marina Gazzoni

A cobrança de conteúdo on-line pelas empresas de comunicação, como defende o presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, é uma batalha perdida. Primeiro, porque a cultura de leitura gratuita na internet já está consolidada. Segundo, porque sempre haverá quem oferecerá informação sem custos para o leitor.

Hoje mesmo isso já acontece. O conteúdo da Folha de São Paulo, por exemplo, está disponível na internet apenas para assinantes do jornal ou do Uol. No entanto, diversos blogs e sites replicam as reportagens do dia na íntegra, oferecendo o mesmo texto gratuitamente para o leitor que fizer uma pesquisa simples no Google.

Cobrar pelo conteúdo on-line é uma atitude desesperada das empresas de comunicação para garantir a receita do seu negócio. É uma decisão errada, pois poucas pessoas estão dispostas a pagar por uma informaçao que terão gratuitamente em sites, blogs, na televisão ou em veículos alternativos.

Esse erro acontece porque os empresários do setor frequentemente comparam os sites informativos com jornais diários, que custam para o leitor. Na minha opinião, compará-los à televisão é mais adequado e trará também uma visão diferente de como financiar o conteúdo on-line.

O conteúdo da televisão também é gratuito para o telespectador, mas a penetração do veículo em massa e a capacidade de atingir um público segmentado conforme a programação faz o veículo despontar como emissor de mensagens publicitárias. Da mesma forma que ocorre com a televisão, creio que a publicidade é ainda a melhor forma de viabilizar a produção de conteúdo jornalístico on-line. Na minha opinião, ainda há um potencial muito grande inexplorado para o desenvolvimento da publicidade na internet, que ganha força com a redução do custo de computadores e de banda larga, massificando o veículo.

Assim como ocorre com a televisão a cabo, creio que há espaço para conteúdos exclusivos na internet. Mas esses precisam ter uma qualidade superior ao que é oferecido gratuitamente e atingir um nicho específico. Um veículo que explora bem esse conceito é a Agência Estado, que oferece conteúdos exclusivos e serviços personalizados para clientes do mercado financeiro. O que realmente não será possível é cobrar pelo feijão com arroz.

A tuiteira Ana Paula Padrão

Por Taís Laporta

Gosto de acompanhar o Twitter da Ana Paula Padrão (@anapaulapadrao). E não é só porque a considero uma tremenda profissional, muito menos por ela ser bonitona – embora muitos a sigam por causa disso, não duvido. É principalmente porque ela diz o que pensa sem papas na língua na frente de 15.231 seguidores.

Pouco jornalista se comporta como um ser humano normal na rede social. A superexposição da internet assusta muita gente, mesmo o profissional acostumado a ficar na frente das câmeras, no cenário iluminado de um estúdio ou nas ruas. Por trás do computador, qualquer palavra descuidada denuncia a personalidade e as opiniões do repórter ou editor – seria isso um problema? Jornalistas das antigas eram nomes, vozes, mas quase nunca pessoas com vontades e personalidade.

Percebo que grande parte dos profissionais hoje prefere manter o Twitter como um recurso impessoal, como se um robô estivesse por trás das mensagens publicadas, em vez de dedos com carne e osso. Separar a atividade jornalística da de um usuário comum – ou mistura-la – na rede é um dilema ainda a ser superado por muitos na era virtual. Como afirmei num post anterior, está ficando impossível dissociar estas duas vertentes na internet.

A Ana Paula Padrão pode divulgar um link com uma reportagem sua sobre um ex-morador de rua que virou artista e, minutos depois, escrever que está cansada e que gostaria de uma folga. Pode ler uma entrevista na coluna da Sônia Racy, por exemplo, e emitir uma opinião em menos de 140 caracteres. Pode também responder na lata aos comentários dos leitores. É uma nova forma de entender o trabalho de um jornalista, mais humana e democrática, talvez. Ana Paula Padrão é uma pessoa, mas também é uma marca. Não faz sentido se comportar em uma rede social como se ela estivesse na tela impenetrável da TV, ou impressa no jornal.

* Exercício 3, questão 3.

Sérgio Rizzo no Twitter

Por Natalia Sarkis

“Jornalista, crítico de cinema e professor”. É assim que o próprio Sérgio Rizzo se apresenta no twitter. Quando decidi analisar o perfil dele, pensei que encontraria muitos tweets relacionados ao cinema, por se tratar do assunto que mais gira em torno dele. Engano meu.

O seu perfil é muito variados; há desde tópicos sobre o próprio cinema chegando até o futebol, passando por cursos, conversas, respostas de seguidores e assuntos gerais.

Na última, semana, Rizzo tweetou muito sobre futebol. O tema? A famosa mão de Thierry Henry que garantiu a vaga da França na Copa do Mundo de 2010. O assunto rendeu comentários somente sobre ele em um dia inteiro.

Outro ponto é que o jornalista atualiza seu microblog diariamente, e não somente uma vez. Retweets, na maioria das vezes com comentários, não são difíceis de encontrar. Sempre que julga que há algo de interesse e que merece destaque, ele repassa para as pessoas que o seguem.

Nos textos lidos, não há nenhum link colocado para uma matéria, ou artigo assinado pelo autor. Também se pode notar um cuidado no momento de publicar alguma notícia. Percebe-se que tudo o que é repassado diz respeito a algo que já foi publicado previamente.

O twitter de Rizzo é muito dinâmico e abrange. Ele acaba evitando a monotonia ao explorar vários assuntos. Além disso, interage muito bem com seus seguidores, tirando dúvidas de seus seguidores. Em fim, acredito que ele realmente entendeu a real função da plataforma.

Exercício #3 – questão 3

“Conversando”? Nem tanto…

Por Natalia Sarkis

Quando se segue o “conversando” da Converse Brasil, pensa-se que o perfil seria muito mais dinâmico, muito mais a cara da marca. Mas não é bem isso que acontece.

 A maior parte dos tweets dos últimos dias são relacionados a promoções. E muitas vezes, repetidos, possivelmente para chamar a atenção dos que seguem a marca. Estas não fogem muito do lugar comum; o participante responde a uma enquete e pode ganhar um tênis.

 Esse é o tipo de interação mais comum, não só se tratando do “Conversando”, mas na maioria das marcas. O Manual do Twitter coloca que distribuir brindes é uma das possibilidades de se usar a ferramenta. Mas ao mesmo tempo, ele ressalta que é importante “não usar o twitter como veículo de propaganda tradicional, disseminando apenas links próprios e mensagens comerciais, sem interagir.” Sim, enquetes são uma forma de interação, mas não a única.

 Ao que parece, “conversando” usa a plataforma apenas como uma maneira mais rápida de fazer os seguidores acessarem o blog oficial da Converse, o “Conversation”. Há muitas divulgações de links que levam para as matérias do blog. Essa atitude corresponde exatamente a crítica feita acima pelo Manual.

 “Conversando” tenta ser um twitter ligado a pessoas jovens e modernas, o maior consumidor da marca, mas ainda vai demorar um tempo até atingir esse objetivo. Algumas melhorias são necessárias em relação às atualizações – passar a ser diariamente, coisa que hoje não é. Também deveriam repensar o conteúdo dos tweets. Seria interessante ter mais notícias do universo que a marca está inserida, e não somente links para o blog, ou então retweets de perfis seguidos por ela.

Exercício 3 – questão 2