Archive for the ‘ Investigações ’ Category

Quanto vale a informação?

 Por Fabio Ornelas

A discussão em torno da cobrança ou não dos conteúdos jornalísticos disponibilizados na internet, advinda da Declaração de Hamburgo, abre precedentes para uma série de reflexões.

À primeira vista, a cobrança por estes conteúdos parece ir de encontro à função primordial da internet: o da democratização da informação. Será que existe sentido falarmos de cobrança de notícias em uma rede de comunicação em que até obras literárias já estão sendo disponibilizadas gratuitamente (e na íntegra) a exemplo do que ocorre no site Domínio Publico?

E afinal de contas, quanto vale a informação? Como estipular o preço de uma notícia? Porque haveremos de pagar por notícias que hoje circulam gratuitamente por redes sociais como o Twitter? São muitos os questionamentos.

Particularmente, concordo com o Paulo Rosa Neto, editor-chefe do Adnews, que afirma que “essas novas “regras” são formas de salvamento das mídias tradicionais, que já migraram para a internet, mas ainda não se adaptaram totalmente ao mundo digital”.

A maioria esmagadora dos meios de comunicação tradicionais (jornais, revistas, etc..) ainda mantêm a prática nada estimulante de transpor seus conteúdos na íntegra para a internet, sem qualquer adaptação ou incremento ao meio eletrônico. Você provavelmente já deve ter se perguntado por que continuar comprando um jornal ou uma revista nas bancas se é possível lê-los na internet sem pagar absolutamente nada. Por outro lado, por que pagar por estes mesmos conteúdos na rede quando você já os leu no jornal ou na revista antes? É uma faca de dois gumes.

A declaração de Hamburgo fala que a prática da gratuidade da informação disponível na net “põe em risco a criação de conteúdos de alta qualidade e o próprio jornalismo independente”. Mas a que qualidade a declaração se refere haja vista que até mesmo as mais conceituadas empresas jornalísticas se limitam apenas a fazer um Control+C/Control+V de seus conteúdos tradicionais?

Com base nisso, creio que a cobrança de conteúdos informativos na rede só terá sentido a partir do momento em que as empresas de comunicação passarem a investir maciçamente em conteúdos exclusivos (e aprofundados) para a internet. Uma solução viável talvez seja continuar disponibilizando notícias gratuitas  e paralelamente cobrar por matérias mais aprofundadas produzidas exclusivamente para a rede.

Vale observar ainda que a Declaração de Hamburgo defende o jornalismo independente (“não há democracia sem jornalismo independente”) mas refere-se apenas ao jornalismo profissional (“a internet é uma grande oportunidade para o jornalismo profissional”) ignorando totalmente o emergente “jornalismo cidadão”.

Não seria a declaração, portanto, um recurso para inibir a produção espontânea de conteúdo jornalístico pelo cidadão comum, como se este não fosse um genuíno representante do jornalismo independente e capaz de produzir também conteúdos de qualidade?

Ainda há muito o que se questionar.

Exercício #5

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Uma história recente quase sem memória

Por Leandro Cacossi

Genocídio

Um dos eventos mais trágicos dos últimos vinte anos, certamente, não teve a dimensão e propagação que deveria tido. A guerra civil instaurada no país africano de Ruanda aconteceu em 1994 e, mesmo numa era em que a mídia televisiva já era muito avançada tecnologicamente, pouco foi exibida para o mundo. Ainda assim, deixou marcas até hoje sentidas profundamente na sociedade local.

Ruanda é, basicamente, formada por 2 grupos étnicos que, apesar das mesmas origens, têm princípios diferentes: tutsis e hutus. Ao longo de todo o século XX, os hutus praticamente sempre tiveram o poder em suas mãos.Muitos tutsis acabaram exilados e acuados. Até que, em 1993, um acordo de paz foi selado e acabou-se criando um governo de transição. Apesar disso, no ano seguinte, tropas hutus extremistas (chamadas Interahamwe) revoltaram-se e acabaram matando cerca de 800 mil pessoas, entre presidentes, gente do governo e civis.

O National Security Archive, organização independente com base em Washington, nos Estados Unidos, analisou a atuação estadunidense no episódio. Destaca a pouca vontade de intervenção do então governo Clinton. Informações apontam que os Estados Unidos tinham informações suficientes para evitar, inclusive, o início dos ataques dos Interahamwe. O fato é que não havia um interesse direto estadunidense em nada que envolvia Ruanda. Na época haviam outros confrontos que chamavam mais a atenção de Clinton (como os da Bósnia, por exemplo).

Um relatório mais aprofundado acerca da questão Ruanda X EUA pode ser lido no site do National Security Archive. Também um bom meio de conhecer a história dos confrontos de Ruanda é o longa “Hotel Ruanda” , que retrata a história real de um gerente de hotel que consegui salvar cerca de 1200 vidas em meio aos conflitos.

(exercício #2 -aula de 7/11)

Forças militares colombianas sob suspeita de apoiar massacre histórico.

Por Fabio Ornelas

massacre 

Segundo arquivo publicado no site da National Security Archive, os Estados Unidos investigam o possível envolvimento das forças militares da Colômbia no massacre de El Salado, uma das mais terríveis e indiscriminadas atrocidades da história colombiana, ocorrida em fevereiro do ano 2000, quando os dois países estavam em negociação para acertar os ajustes finais do pacote de auxílio militar conhecido como Plano Colômbia.

Os massacres, promovidos por um exército paramilitar ilegal que se autodenomina  Forças Unidas de Autodefesa da Colômbia (AUC), duraram cinco dias, período em que centenas destes militares avançaram sobre El Salado, dentre outras cidades locais, deixando para trás um rastro de tortura, terror e sangue, que levou 60 pessoas à morte e deixou milhares de desabrigados, como mostra uma série de depoimentos colhidos para um especial de TV promovido pela Semana, principal revista periódica da Colômbia.

Mas enquanto os mentores do terrível massacre foram identificados já faz muito tempo, o potencial envolvimento das forças militares da Colômbia ainda não foi totalmente esclarecido. Oficiais americanos alegam ter motivos para acreditar que as forças militares colombianas facilitaram o massacre ao evacuar  a cidade antes da carnificina começar e ao construir bloqueios nas estradas para retardar a chegada de auxílio humanitário. Isto porque estavam em jogo as negociações do Plano Colômbia.

Estas alegações corroborariam com o relato La Masacre de El Salado: Esa Guerra No Era Nuestra” , produzido pela Memoria Histórica, um grupo independente encarregado pela Comissão Nacional em Reparações e Reconciliações da Colômbia de investigar e publicar a história da luta armada no país.

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Criança colombiana exibe cópia do relato “La Masacre de El Salado: Esa Guerra No Era Nuestra”

Os segredos por trás da viagem de Nixon à China

por Renato Garcia

“A semana que mudaria o mundo”. Essa foi a frase que o então presidente dos EUA, Richard Nixon usou para definir a importância de sua viagem à China em fevereiro de 1972. Com a Guerra Fria e a Guerra do Vietnã ocorrendo simultaneamente, era uma tacada de mestre reaproximar-se do governo de Mao Tsé-Tung  quando Nixon pleiteava uma campanha à reeleição baseada na paz entre os povos.

Primeiro presidente norte-americano a pisar em solo chinês, Nixon afirmou na época que a “tentativa de estabelecer um novo relacionamento com a República Popular da China não será feita às custas dos nossos amigos. Nossa política não se dirige contra nenhuma nação específica. Queremos manter relações amistosas com todas as nações. Qualquer país pode ser nosso amigo, sem se tornar inimigo de outro.”

Realmente os EUA estavam ensaiando uma reproximação com a China, mas o que poucos sabem é que as conversas entre Nixon, seu amigo e secretário de Estado, Henry Kissinger, Mao e o primeiro-ministro chinês Zhou Enlai não se concentraram apenas em restabelecer relações amigáveis. Alguns assuntos ficaram em segredo até pouco tempo atrás, quando finalmente todos os documentos da viagem foram revelados pelo National Security Archive.

Enquanto seu discurso era aparentemente pacífico, o presidente dos EUA  estava era preocupado com a expansão industrial japonesa. Desde o final dos anos 60 o sucesso das exportações nipônicas incomodavam e muito as indústrias americanas e a China temia que essa expansão não ficasse apenas no nível econômico, mas se espalhasse política e militarmente, como um revival do imperialismo japonês.

Outro assunto que incomodava Mao e seus seguidores era a iminente independência de Taiwan. As insurreições na época ainda eram poucas, mas ele sabia que tudo era questão de tempo. Mesmo assim, Nixon afirmou que não iria ajudar nenhum movimento que fosse inconsistente com o conceito da “China única”, e que iria trabalhar contra qualquer um desses que surgisse em Taiwan.

Nenhum presidente havia declarado que não ajudaria Taiwan até a visita de Bill Clinton à China em 1998. Os outros, assim como Nixon, preferiram esconder a verdade.

(exercício #2 – aula de 07/11)

Abu Ghraib no Torture Archive

Por Natalia Sarkis

O National Security Archive criou recentemente a seção Torture Archive onde há mais de 83.000 documentos em pdf referentes à guerra ao terrorismo iniciada pelo governo Bush pós 11 de setembro. Dentre eles, a prisão de Abu Ghraib, no Iraque, que ficou mundialmente conhecida como o local onde torturas foram realizadas em diferentes regimes.

Um exemplo é o arquivo “Abu Ghraib Detainee Abuse” que contém uma carta do Líder da Reserva do Exército americano James R. Helmly, comunicando o fato de ser relatado na mídia no final de 2003 que torturas vinham sendo realizadas por soldados americanos em prisioneiros iraquianos.

Helmly coloca que investigações serão feitas e que os culpados serão processados “pela lei e pelo Código Uniforme da Justiça Militar. Mas isso corresponde a uma pequena parte do ofício. A maior parte está preocupada em motivar os soldados que estão no Iraque, citando, inclusive o Warrior Ethos*: “Eu vou sempre colocar a missão em primeiro lugar. Eu nunca vou aceitar a derrota. Eu nunca vou desistir. Eu nunca vou deixar um companheiro caído”.

O texto é finalizado com a seguinte frase “Eu estou orgulhoso de vocês, magníficos homens e mulheres que se voluntariaram para preencher os postos de soldados rasos da Reserva do Exército. Deus os abençoe, suas famílias, seus empregadores e os Estados Unidos da América.”

*Warrior Ethos                                                                                                                     Ethos = caráter, índole, disposição, espírito característico de um povo ou instituição.                                                                                                                         Warrior = guerreiro

Obs: Todas as traduções feitas estão em caráter livre.

 Exercício # 2 da aula de 07/11

Afroreggae: Novidades no caso do assassinato do coordenador

Por Maria Fernanda Teperdgian e Valeria Bursztein, de São Paulo

 

A investigação sobre o assassinato de Evandro João da Silva, 42, coordenador do Afroreggae, revelou que há outros policiais militares envolvidos no caso de latrocínio. A Polícia Civil ampliou o escopo das investigações para além dos dois PMs já flagrados levando pertences de Evandro das mãos de dois assaltantes. Câmeras de vídeo registraram esse  momento. A prisão preventiva dos dois PM já foi decretada.

AINDA VIVO

 Anderson Elias dos Santos, amigo da vítima, afirmou que que o coordenador ainda estava vivo quando chegou ao local, 50 minutos após o crime.

  (Evandro João da Silva)

O grupo cultural AfroReggae vem atualizando por  meio do Twitter a evolução do caso e abre espaço para homenagens e entrevistas. Confira.