Archive for the ‘ exercício 7/11 ’ Category

Robert Kennedy já defendia fim de bloqueio a Cuba em 1963

Por Marina Gazzoni

Robert Kennedy

O ex-ministro da Justiça dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy, tentou acabar com a proibição aos cidadãos americanos de viajar a Cuba. Ele elaborou um memorando com a decisão no dia 13 de dezembro de 1963. RFK é um dos dois irmãos mais novos do ex-presidente John F. Kennedy.

O então presidente americano, Lyndon Johnson, preferiu seguir os conselhos de McGeorge Bundy, seu assessor especial para Assuntos de Segurança Nacional. Bundy temia a disseminação de “ideias subversivzs” entre os turistas americanos e conseguiu convencer Johnson a manter a restrição a viagens a Ilha imposta no mandato de Dwight Eisenhower (1953-1960).

A informação está no artigo publicado por Kathleen Kennedy Townsend, filha de Robert Kennedy, no Washington Post, no dia 23 de abril deste ano. No texto, Kathleen pede ao atual presidente americano, Barack Obama, para defender o fim da proibição de viagens a Cuba.

O site The National Security Archive reúne quatro documentos que mostram como a questão foi discutida na década de 60, no governo Johnson. No memorando pró desbloqueio a Cuba, o principal argumento de Kennedy foi que “a restrição a viagens não consiste com o tradiconal liberalismo americano”.

Barack Obama

Um passo a frente nessa questão foi dado neste ano, quando Obama finalmente permitiu viagens ilimitadas a Ilha e o envio de remessas em dinheiro a parentes de americanos no país.

Mas ao pensar em todas as expectativas de mudanças criadas com a ascensão de Obama à presidência dos EUA, o avanço parece pequeno.

Cuba ainda enfrenta um embargo comercial dos EUA que se estende por 47 anos, como herança de uma Guerra Fria que já ficou pra trás. Falta muito para mudar. Can we?

O twitt da Leitão

por Valeria Bursztein

A jornalista Miriam Leitão  adotou o twitter como forma de aumentar a rede de abrangência das notícias que publica diariamente. Com chamadas para matérias publicadas no jornal O Globo, comentários pessoais acerca do seu cotidiano e outras tantas contribuições, Miriam conseguiu “comunicar-se” com universos paralelos aos tradicionais leitores de economia. 

Os inserts de caráter mais pessoal também têm lá seu interesse. Comentários como “Sexta feira, 21h e eu trabalhando… realmente! Preciso acabar logo com isso, preciso lembrar que eu existo…ôps saiu um Roberto Carlos…” humanizan a profissional e diversificam a pauta do contexto.

Para os jornalistas que cobrem a área, como meu caso, acompanhá-la é um facilitar acompanhar esses verdadeiros “teasers” de informação, pequenos drops atualizados que orientam nossa pesquisa e agilizam o processo de captação de dados.

Para quem não está a par dos contextos, entretanto, a eficiência da comunicação é questionável.

Economia é fundamentalmente análise. O dado e a estatística são estéreis se desprovidos de um olhar clínico — grande mérito da jornalista em questão e de tantos outros que também fazem uso da ferramenta.

Há quem diga que informação nunca é demais. Pode até ser, mas é uma pena desperdiçá-la.

 

 

 

 

Fracassos e sucessos do jornalismo cidadão

Taís Laporta

Jornalismo cidadão é um daqueles termos ainda levados ao extremo: ame-o ou odeie-o. De fato, para muitos autores como John Kelly, ele foi cunhado como a grande salvação do jornalismo, o libertador do monopólio e o ápice da democratização. Uma visão bastante utópica, a meu ver, já que só leva em conta o fato de que a notícia pode ser disseminada por todos em qualquer canal, esquecendo da responsabilidade de noticiar corretamente e com responsabilidade. Esse último argumento é o preferido dos que abominam o termo jornalismo cidadão e seus similares (jornalismo colaborativo, jornalismo participativo etc). Para estes, é um absurdo permitir que qualquer pessoa seja um canal de comunicação aberto, substituindo a velha mídia, que sempre teve o privilégio – aclamado como um direito – de informar com exclusividade.

Levadas ao extremo, ambas as visões pecam por falta de ponderação. O jornalismo cidadão é simplesmente um formato em fase beta, testado por diversos canais no mundo. Cada qual com suas próprias regras. Há grandes fracassos, casos em que sequer há colaboração dos leitores, canais fantasmas que não engataram. Há também grandes sucessos, como o sul-coreano OhmyNews, fundado em 2000 em Seul e que hoje possui 55 jornalistas e mais de 100 mil cidadãos repórteres de todo o mundo. Uma coisa é certa: sucesso ou fracasso, esse recurso é visto como fundamental na era da internet, e os veículos não o dispensam, mesmo que mal saibam trabalhar com ele. Nesta apresentação, Ana Maria Brambilla resume bem as mudanças de conceito proprocionadas pelo jornalismo colaborativo:

Por já ter trabalhado com jornalismo participativo, posso afirmar que o Canal Vc Repórter, do Portal Terra, é um exemplo de jornalismo cidadão que funciona, apesar das falhas a serem corrigidas. O maior trunfo deste formato foi colocar jornalistas como peneiras por trás de cada informação enviada pelo leitor. Ou seja, a notícia só será publicada depois que o repórter do Terra tiver avaliado a importância do fato como notícia e apurado todas as informações, confirmando sua veracidade. Fotografias de acidentes, tumultos ou tempestades são checadas e, caso não possam ser confirmadas, vão para a gaveta, por melhores que sejam. Essa é uma forma segura e responsável de não repetir a gafe histórica do UOL no acidente com o avião da TAM em 2007, quando o canal publicou uma fotomontagem de um homem em chamas. Pegou muito mal.

Um exemplo legal de como o jornalismo cidadão pode funcionar aconteceu em novembro do ano passado, durante as enchentes que devastaram Santa Catarina. O Vc Repórter recebeu, por um período ininterrupto de quase um mês, uma quantidade incontável de fotografias da tragédia, e por trás de cada uma, histórias anônimas que jamais chegariam ao conhecimento do público por outra forma. O jornalismo cidadão é uma realidade positiva e sem volta, mas é preciso saber fazê-lo com responsabilidade, para que não vire um desastre. Neste contexto entra o jornalista. Ele não deveria se sentir ameaçado, pelo contrário, deveria se colocar como peça fundamental deste processo.

* Exercício 1, proposta 3 da aula de 7/11

Documentos revelam que Brasil e Estados Unidos planejaram queda de Allende

Por Ana Paula Novaes

Em 1971, os presidentes Richard Nixon, dos Estados Unidos, e o brasileiro Emílio Garrastázu Médici  discutiram o papel do Brasil nos esforços para derrubar o governo de Salvador Allende, como revelam os arquivos do The National Security Archive. Temendo o avanço do comunismo na América Latina, Nixon colocou seu apoio à disposição do Brasil para uma possível interferência no Chile.

A reunião entre os dois presidentes foi revelada em um documento secreto no qual Nixon ofereceu até mesmo dinheiro para viabilizar a ação dos brasileiros. Médici deveria tentar impedir o surgimento de novos Allendes e Castros e tentar “reverter este tipo de tendência”. Para o presidente norte-americano, um relacionamento estreito com o Brasil era fundamental. Em um dos documentos que veio a público no ano de 2002, em uma conversa com o primeiro ministro britânico, Edward Heath, Nixon reforça a posição brasileira na região. Em suas palavras, o Brasil era a chave para o futuro.

Embora um dos memorandos da CIA demonstre que o presidente Médici concordava com as ideias de Nixon e se propunha a cooperar para conter as “tendências de marxismo/expansão da esquerda” na América Latina, essa não era uma posição unânime entre os generais brasileiros. Muitos temiam que as responsabilidade das ações recaíssem sobre o Brasil, que faria o trabalho sujo, deixando os Estados Unidos ilesos.

Eleito democraticamente para governar o Chile em um continente tomado por ditaduras militares, Salvador Allende se valia de ideias marxistas para implementar um governo com foco em ações sociais. Buscando esforços de estabelecer uma política popular, Allende apostava em um sistema democrático. Em 1973, mesmo cercado pelos golpistas liderados pelo general Augusto Pinochet – apoiados mais uma vez pelos Estados Unidos – Allende se recusa a deixar o Palácio de la Moneda , sede do governo chileno e se suicida.

* Exercício II – aula 7/011

Yes, we can report.

Por Ana Paula Novaes

Contribuir com o conteúdo elaborado pela grande mídia, atuando como fonte e produtor de informação; ser um ‘citizen journalist’. A ideia soa muito bem. No entanto, é necessário refletir sobre até que ponto essa participação acontece e o quanto ela é benéfica.

Com as possibilidades tecnológicas trazidas pela internet, publicar uma informação ficou mais fácil. Fato. Assim, ao redor do mundo as pessoas comuns têm realizado o antigo sonho da participação. Blogs, vídeos, posts no twitter inundam a web a todo instante. Nem sempre, conseguimos ‘digerir’ este grande prato de notícias.

Para John Kelly, autor de “Red kayaks and hidden gold”, a principal característica do jornalismo no século 21 é que ele não precisa mais ser feito necessariamente por jornalistas.  Em todo o livro ele enumera as vantagens deste novo modelo. Trazendo mais pontos de vista e nuances que ainda não tinham sido exploradas, os jornalistas cidadãos tornam a cobertura de grandes eventos mais complexas.

Além disso, é através dos relatos de pessoas comuns que notícias que pequenos acontecimentos locais chegam aos ouvidos de quem está longe.  A grande dúvida sobre a produção cidadã de notícias é: dá pra confiar nas informações? A gigante CNN resolveu apostar que sim. Através do portal ireport.com permite que seus seguidores produzam vídeos e textos, que precisam ser noticiosos.

O grande diferencial em relação a outros processos colaborativos feitos por redes de notícias, é que no i-Report não há nenhum tipo de edição. Jornalismo cidadão puro, sem gelo. Na descrição do próprio site:” i-Report te convida a tomar parte nas notícias com a CNN”. E o conteúdo postado recebe nota e indicação dos editores. Alguns vídeos ainda ganham espaço na programação dos canais de tv da rede.

No entato, talvez o maior poder destes cidadãos jornalistas esteja na influência que exercem sobre sua pequena comunidade de seguidores. No Brasil, um bom exemplo é o caso da Twittess. De publicitária desconhecida a celebridade da internet, hoje dita tendências e ganha dinheiro (R$500 por mensagem comercial) com seus posts.

Hoje, os blogs e twitters são fonte de informação dos jornalistas e, cada vez mais, ditam o que estará na agenda do dia. Nem sempre, porém, se distingue o que é informação confirmada do que não é. Na sede de estar na frente dos concorrentes, os veículos fazem o caminho contrário: deixam de informar os leitores e passam a se informar através deles. Mesmo John Kelly, defensor empolgado do jornalismo cidadão, assume: muitas vezes, o produto não é muito bom.

Não dá pra confiar em tudo que os blogs postam. Jornalistas, então, têm que ficar com a pulga atrás das duas orelhas. Assim, casos como do blog do jornalista Ricardo Noblat, que noticiou o suposto ataque de neonazistas a uma brasileira na Suíça e pautou toda a imprensa nacional, não se repetirão.

* Exercício I – aula 7/011 – proposta 3

Uma história recente quase sem memória

Por Leandro Cacossi

Genocídio

Um dos eventos mais trágicos dos últimos vinte anos, certamente, não teve a dimensão e propagação que deveria tido. A guerra civil instaurada no país africano de Ruanda aconteceu em 1994 e, mesmo numa era em que a mídia televisiva já era muito avançada tecnologicamente, pouco foi exibida para o mundo. Ainda assim, deixou marcas até hoje sentidas profundamente na sociedade local.

Ruanda é, basicamente, formada por 2 grupos étnicos que, apesar das mesmas origens, têm princípios diferentes: tutsis e hutus. Ao longo de todo o século XX, os hutus praticamente sempre tiveram o poder em suas mãos.Muitos tutsis acabaram exilados e acuados. Até que, em 1993, um acordo de paz foi selado e acabou-se criando um governo de transição. Apesar disso, no ano seguinte, tropas hutus extremistas (chamadas Interahamwe) revoltaram-se e acabaram matando cerca de 800 mil pessoas, entre presidentes, gente do governo e civis.

O National Security Archive, organização independente com base em Washington, nos Estados Unidos, analisou a atuação estadunidense no episódio. Destaca a pouca vontade de intervenção do então governo Clinton. Informações apontam que os Estados Unidos tinham informações suficientes para evitar, inclusive, o início dos ataques dos Interahamwe. O fato é que não havia um interesse direto estadunidense em nada que envolvia Ruanda. Na época haviam outros confrontos que chamavam mais a atenção de Clinton (como os da Bósnia, por exemplo).

Um relatório mais aprofundado acerca da questão Ruanda X EUA pode ser lido no site do National Security Archive. Também um bom meio de conhecer a história dos confrontos de Ruanda é o longa “Hotel Ruanda” , que retrata a história real de um gerente de hotel que consegui salvar cerca de 1200 vidas em meio aos conflitos.

(exercício #2 -aula de 7/11)

O surgimento do Jornalismo Cidadão

Por Natalia Sarkis

 Em seu livro Red Kayaks and Hidden Gold: the rise, challenges and value of citizen journalism, John Kelly apresenta ao leitor o surgimento e as principais características do novo modo de se fazer jornalismo: o Citizen Journalism – Jornalismo Cidadão, em tradução livre.

 Lendo o texto de Kelly, é impossível não sentir a euforia com que o autor descreve esse novo modelo. O jornalismo cidadão teve o seu advento após o 11 de setembro de 2001. Diz Kelly “O que a mídia da época não esperava fazer era dar voz para qualquer um que quisesse expressar sua raiva, seu lamento, comentar ou dividir emoções sobre os ataques de um modo público. Blogs, entretanto, podem fazer isso.”

 É inegável que essa transformação de leitor, ouvinte e espectador de passivos para ativos traz muitos benefícios. Em palestra no evento mediaon, Joshua Benton, jornalista e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, citou vários exemplos de pessoas que estão fazendo um trabalho de cobertura muito bom, entre os quais os blogs West Seattle e o The Ann Arbor Chronicle.  

 Em pesquisa recente do Instituto Vox Populi sobre quais são as mídias de maior credibilidade para o brasileiro, a internet ficou em segundo lugar. Entretanto, isso não impediu que as redes sociais ficassem em último. Portanto isso comprova para nós brasileiros que o importante é ter um grande nome por trás do jornalista. No caso, de um veículo de comunicação, de uma empresa. Outro exemplo envolvendo a mesma questão é quando John Kelly diz que os jornalistas cidadãos não conseguem ter acesso a fontes oficiais por não serem estáveis.

 Kelly aponta ainda a necessidade de abertura do site de quem faz Jornalismo Cidadão a qualquer pessoas para escrever qualquer coisa. Esse é um grande problema. Caímos na questão que nem sempre todos terão algo relevante para dizer. Mas, como definir o que é relevante para esse modelo de jornalismo? Existe um consenso sobre o que realmente é Jornalismo Cidadão? Tudo é passível de virar notícia? Essa acaba sendo uma questão sempre debatida desde o surgimento do jornalismo como conhecemos hoje, aquele da grande mídia. Afinal, o que o Jornalismo Cidadão deve abordar? Qual a distinção entre ele e um blog pessoal? São questões muito complexas que merecem maior discussão. O leitor se tornando alguém ativo e publicando o que vê é muito importante para o trabalho jornalístico. Algumas pessoas se destacarão nesse trabalho, e serão um grande apoio para aqueles que vivem do jornalismo como profissão. 

 A meu ver, o que ainda falta é estabelecer quais são os limites do Jornalismo Cidadão.

 (exercício #1 – questão 3 -aula de 7/11)