Archive for the ‘ exercício 27/11 ’ Category

Redes Sociais -Elas vieram para ficar

Por Marina Gazzoni

É surpreendente a inserção das redes sociais no cotidiano das pessoas, se pensarmos que a primeira experiência desse tipo foi lançada há apenas 12 anos, com o site SixDegrees. Em seu artigo acadêmico, as pesquisadoras Nicole Ellison e Danah Boyd  traçam uma cronologia do desenvolvimento das redes sociais, apontando inclusive vantagens e desvantagens de cada uma delas.

A rapidez com que a participaçao em plataformas virtuais de relacionamentos interpessoais se dissipou aponta que é uma tendência que veio parDa ficar e que ainda trará muitas novidades. Como ocorreu com o QQ, criado originalmente para oferecer um serviço de mensagens instantâneas e hoje uma das redes sociais mais populares da China, outras plataformas virtuais podem desenvolver ferramentas de integração on-line entre vários usuários.

A convivência com esses mecanismos está mudando hábitos. Um fenômeno que já ocorre entre os jovens brasileiros é conhecer os futuros colegas de universidade antes mesmo do início das aulas, por meio da participação em comunidades virtuais do Orkut, por exemplo.

 Apesar de ser uma possibilidade real, conhecer pessoas ainda é um interesse menor para a maior parte dos usuários de redes socias. Em seu artigo, Boyd e Ellison citam estudos que mostram que mais de 90% dos adolescentes americanos usam essas plataformas para se conectar com seus amigos.

Mas por que participar de uma comunidade virtual para se comunicar com pessoas que você já conhece na vida “off-line”? A facilidade de comunicação é um dos motivos, já que enviar uma mensagem via Twitter ou postar um comentário em uma comunidade no Orkut é mais eficiente para disparar mensagens a amigos do que um telefonema.

Se as facilidades são evidentes, muitos desafios vêm pela frente. Assim como emergem rápido, algumas das redes caem rápido em desuso _por não conseguir se firmar como um negócio rentável ou atratente para o usuário a médio e longo prazos.

As redes sociais já estão na pauta de economia. Todos os holofotes do mercado estão agora no Twitter. A plataforma já captou recursos com investidores privados e estuda, inclusive, abrir o capital na Bolsa de Valores. Ele chegou a ser avaliado em US$ 1 bilhão, mas seus executivos admitem que ainda não encontraram uma “forma de ganhar dinheiro” com o Twitter.

Em 2010 o site deve experimentar formas de faturar com os seus 50 milhões de visitantes mensais. As principais apostas estão em um novo tipo de publicidade para redes sociais, e-commerce ou até mesmo venda de informações sobre seus usuários. Tudo para não acabar como o grande precursor SixDegrees, que encerrou seus serviços por problemas financeiros.

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Presos na rede

por Renato Garcia

A Internet é um microcosmo da sociedade. Talvez por isso o número de sites de relacionamento e de seus respectivos membros cresce a cada dia. As pessoas buscam novas amizades, manter aquelas já conquistadas e, principalmente, fazer parte de grupos com gostos e escolhas semelhantes.

O artigo de Danah Boyde e Nicole Ellison faz um raio-x das principais redes sociais online, desde o seu surgimento até a popularização do Facebook. O texto, apesar de trazer dados interessantes, se detém nas redes que se tornaram mais populares nos Estados Unidos. Aqui, sem sombra de dúvidas, a mais famosa é o Orkut. Segundo pesquisa do Google, realizada em maio de 2009, cerca de 75% dos usuários da Internet acessaram o Orkut naquele mês. Um verdadeiro fenômeno.

 

O Twitter foi outro site que pegou por aqui. Até as empresas se renderam a ele, procurando trabalhadores através dos perfis. Muitas delas utilizam as redes para checar o perfil pessoal e comportamental do candidato. Já existe inclusive uma rede social específica para quem busca um emprego, o Linkedin.

As empresas também já estão substituindo a tradicional intranet por redes sociais internas, um meio muito mais eficaz e informal de aproximar seus funcionários e estabelecer contato com eles.

Na verdade, tudo isso faz parte do grande paradoxo do século XXI. Ao mesmo tempo em que passamos mais tempo em casa, conversando com os outros pelo computador, também nos aproximamos de famosos como Luciano Huck, William Bonner e percebemos que todos são como nós. Como já comentei anteriormente no post sobre meu perfil no Twitter, é a Internet chegando pra humanizar as pessoas, apesar do afastamento físico cada vez maior.

A título de curiosidade, já há quem tente remar contra essa corrente. Alguns sites acabaram de “sair do forno”, e sua principal função é tentar reunir seus membros fora do espaço virtual. Se eles vão fazer sucesso, só o tempo dirá.

[exercício 6 – 27/11]

Redes Sociais: Indivíduos e seus conjuntos

Por Valeria Bursztein

A partir do texto Social Network Sites: Definition, History, and Scholarship, realizado por Danah M. Boyd e Nicole B. Ellison, e que oferece um a profunda pesquisa sobre as particularidades dos sites de rede sociais, várias questões podem ser pinçadas.

Na definição das autoras sites de redes sociais são serviços baseados na Web que possibilitam aos indivíduos construir perfis públicos ou parcialmente públicos em um sistema, articular uma lista de outros usuários com quem estabelecem contato e compartilham conexões, e visualizar e interferir nas listas de conexões feitas por outros usuários do mesmo sistema.

A diferença desses sites é que permitir a articulação e a visualização das redes dos próprios usuários, integrando, assim, não apenas indivíduos, mas também suas redes próprias sociais. Em uma idéia mais abstrata: trata-se da “socialização do socializado”.

Outro aspecto interessante que o texto aponta é a possibilidade que esses oferecem de recriar uma personalidade ao abrirem a opção (muitas vezes obrigatória) de detalhar ao nível da minúcia o perfil do usuário. É o que as autoras chamam de “type oneself into being”, em referência a Sundén.

Obviamente, essa orientação para o detalhamento de características e preferências não é gratuito. Perfis em sites de relacionamento ditam tendências de consumo de grupos – há de lembrar que as relações já estão definidas nesses sites, o que implica de imediato em algum tipo de comportamento, ambientação ou mesmo passado em comum e que pode ser decodificado a favor das ações de marketing de qualquer empresa que se expressa diretamente ao consumidor final.

Com pouco mais de uma década de existência, os sites de redes sociais viveram uma transformação da tipificação dos contatos entre seus usuários, que passaram de desconhecido-desconhecido para amigo-amigo e abriram possibilidades conceituais e técnicas para absorver a nova demanda pela personalização dos recursos.

Mas é preciso ter em mente que, mesmo que os sites de redes sociais nasçam via de regra como comunidades específicas e cresçam posteriormente para comunidades de comunidades, a organização sempre tem como base o indivíduo/usuário, a partir dos quais qualquer associação é possível.

Cobrar ou não cobrar, eis a questão

Por Natalia Sarkis

Em entrevista ao site Adnews, Silvio Genesini, diretor-presidente do grupo Estado afirmou que a empresa não cobrará pelas notícias no site, embora não descarte a possibilidade do internauta ter que pagar outros tipos de informação, como banco de dados e reportagens segmentadas.

A questão do direito autoral é algo que sempre esteve presente desde as primeiras publicações de textos. No início, ao terem um texto impresso no jornal, estas preocupações não existiam. Hoje, entretanto, é um assunto muito mais discutido, principalmente com a rápida troca de informações que temos graças à internet.

O grande debate que gira em torno dessa mídia é se deve-se ou não cobrar pelo conteúdo disponível, em sua maior parte gratuito, de livre acesso a internautas do mundo inteiro. Aqueles que são a favor, dizem que é uma forma de proteger os autores do texto ou de qualquer outro produto cultural. Aqueles que são contra, afirmam que essa não será a melhor solução, além de dificilmente funcionar na web.

O mundo virtual é tão extenso e tão complexo que realmente será difícil fazer funcionar um ato de cobrança pelos conteúdos. Onde houver um site cobrando pela informação haverá outro a proporcionando de graça. Quem não se lembra dos primeiros programas de downloads de músicas; sempre que um era fechado pela violação de direito autoral (ou então passava a cobrar pela canção que o usuário estava baixando), surgia outro, com disponibilização gratuita dos arquivos.

O que os grandes veículos de comunicação não compreendem, é que a internet é muito mais do que uma nova mídia onde podem vender informação. A internet é um lugar onde as pessoas podem experimentar a troca livremente, sendo essa muito mais importante que a comercialização da notícia.

Em pauta: a Cultura Digital

Por Natalia Sarkis

De 18 a 21 de novembro aconteceu na Cinemateca Brasileira o Fórum Internacional de Cultura Digital. Além das palestras sobre o tema, o diferencial ficou por conta de intervenções e apresentações artísticas durante o evento. Dentre elas, a performance de Zé Celso Martinez Corrêa.

 De todos os debates, o do dia 21 foi o mais abrangente. A mesa “Contexto Internacional da Cultura Digital” foi composta por Raquel Rennó (Pesquisadora de arte digital e integrante da Associação Cultural de Projetos em Cultura Digital ZZZinc, de Barcelona), David Sasaki (Diretor do Rising Voices), Ivo Corrêa (Responsável pelas políticas públicas e governamentais da Google Brasil), Alfredo Manevy (Secretário executivo do Ministério da Cultura), Amelia Andersdotter (Membro do Partido Pirata Sueco) e teve como mediador José Murilo Jr. (Gerente de Cultura Digital do Ministério da Cultura).

 Raquel Rennó fez uma palestra sobre organizações que trabalham com a questão da Cultura Digital, trazendo exemplo de como as pessoas dessas organizações estão pensando novas formas e novos espaços de se produzirem cultura.Já a fala de Ivo Corrêa foi inteiramente permeada sobre a tensão entre o global e o local no tema abordado. Corrêa também coloca graças não somente a internet, mas a toda a rede social que continua se formando, distribuir cultura ficou hoje muito mais fácil.Alfredo Manevy, do Ministério da Cultura, teve sua fala mais centrada na participação do Estado na construção dessa cultura digital. Apontou questões como o direto do criador e da sociedade de ter acesso ao seu trabalho e a digitalização da cultura.

Outro tema de discussão foi a cultura participativa. Segundo David Sasaki, no passado, fazer cultura era algo que estava muito ligado a uma determinada pessoa. Com a Cultura Digital, várias pessoas podem participar do processo e aprender com ele. É o que ele chama de cultura colaborativa.

 Todas essas questões nos levam a pensar na própria transformação do termo cultura. A era digital está permitindo que um maior número de pessoas compartilhem suas experiências, tanto no campo do intelecto, quanto no da produção. E essa pode ser desde um curta-metragem com uma cara mais profissional, até mesmo algo mais amador, como um vídeo colocado no youtube.

Como colocado na Carta de Cultura Digital Brasileira, que encerrou o evento,  “este (fórum) não se pretende conclusivo. Tudo o que aqui se fez integra um processo, dinâmico, de formulação e criação. Esse processo prossegue. Não pode parar”.

Exercício 4