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“Remix tecnológico” em meio a guerra de patentes entre as fabricantes

Por Ana Ikeda

Desconcertados. É assim que nos sentimos diante da teoria de Kirby Ferguson, editor de vídeos que lançou o projeto “Everything is a Remix”, ou tudo é um remix. Geralmente associamos a palavra em inglês com música, como uma modificação feita a partir de uma produção original. Da minha adolescência, me lembro de escutar no rádio uma versão de “Every Breath You Take” feita pelo grupo Fugees – e que Sting, do Police, não ficou muito satisfeito com isso. Mas com o sucesso estrondoso da nova versão, a reclamação parou por aí. Com tantos exemplos na área musical, será que é possível transportar a teoria de Ferguson para outros setores, como o tecnológico?

iPad, da Apple, e Galaxy Tab, Samsung: cópia ou remix?

Antes de tudo, é preciso entender o que o editor chama de remix. Para ele, praticamente tudo na cultura pop nos últimos anos é algo do qual alguém “se apropriou, transformou e subverteu”. Essa tríade nos fornece uma guia para analisar os remixes. Um dos (profusos) exemplos utilizados por Ferguson é o filme Star Wars, de George Lucas, uma colagem de cenas de histórias e filmes, como “Flash Gordon”, a “Fortaleza Escondida” de Kurosawa, e alguns faroestes americanos.

A questão principal num remix, no entanto, é a forma com a qual o seu criador se apropria do conteúdo original. “Criação requer influência”, alerta Ferguson em um de seus vídeos sobre o projeto, afirmando que existe uma linha tênue entre o conteúdo original e o remixado.

Quando analisamos o mercado da tecnologia, a teoria de que tudo é um remix parece fazer “tudo se encaixar”. Como exemplo, temos os produtos da Apple. Seria o iPad um remix do iPhone? Na ocasião do seu lançamento, houve até quem dissesse aqui no Brasil que se tratava de um “iPhone de Itu”, brincadeira para indicar que o tablet era o smartphone grandão. Produtos de informática tem sido apropriados, transformados e subvertidos desde o início da indústria. Foi assim com os primeiros PCs pessoais (Altair, Lisa, Macinthosh, IBM PC), com a primeira geração de notebooks (do Dynabook de AlanKay ao ThinkPad da IBM), walkmans (e sua versão mais recente, os players digitais), celulares… e tablets.

A empresa de Steve Jobs sempre é vista como uma das mais inovadoras, mas o conceito de computadores ultraportáteis não é propriamente novo. Quem se lembra dos Palmtops? Ou até, voltando mais ao passado, das agendinhas eletrônicas? A própria Microsoft já falava no desenvolvimento de sistemas para tablets lá em 2001. Existe até mesmo um vídeo de 1994 explicando a ideia de um dispositivo para leitura de notícias bem semelhante ao do tablet. O trunfo da Apple com seu iPad está mais ligado à forma com que apresenta e vende os seus produtos do que à inovação. E, como propõe Ferguson, à influência do seu criador.

Até mesmo esse marketing é fonte para remixes. As apresentações feitas pelo fundador da Apple, geralmente icônicas, têm versões mescladas a “Star Wars”, “ A Fantástica Fábrica de Chocolates” e “The Human Centipede” (um filme bizarro).

Um problema em relação aos “remixes tecnológicos” e que nos faz voltar à teoria de Ferguson é a diferenciação com o plágio, a cópia pura. Processos entre empresas de tecnologia em relação a patentes são numerosos. A semelhança entre produtos até assusta. A Samsung, por exemplo, está sendo processada pela Apple nos EUA pela sua linha Galaxy de telefones e tablets, que infringiriam patentes de design do iPhone e iPad. O contra-ataque da empresa coreana foi processar a Apple também. Por quebrar anteriormente patentes dos seus produtos. A batalha judicial vai longe…

O consumidor, em meio a essa guerra entre gigantes, tem de decidir “quem seguir”. Voltamos então aos embaixadores das marcas, que vão defender por aí, com unhas e dentes, a sua empresa (e produtos favoritos) e certamente falarão em plágio. Mas se, como destaca Ferguson, “tudo o que fazemos é um ‘remake’ de criações existentes em nossas vidas e a vida dos outros”, um produto vai acabar se destacando em relação a outro pela…. influência do seu criador. Boa sacada, Steve Jobs!

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Conteúdo de qualidade

por Leandro Cacossi


Toda empresa, em qualquer área, tem como objetivo obter lucro. Quanto mais vender, melhor. As empresas de comunicação seguem o mesmo pensamento e a mesma forma de agir. Veículos impressos sempre tiveram que vender bastante para conseguir mais anunciantes e, dessa forma, obter mais lucro. Rádio e TV da mesma forma: quanto mais audiência, mais receita.

A chegada da internet e a conseqüente integração com os tradicionais veículos de comunicação acabaram trazendo uma grande interrogação para grandes companhias (e, até mesmo, para as novas – as que existem apenas no mundo web): como obter lucro com o conteúdo online?

Durante muito tempo, o conteúdo inédito de sites de grandes jornais e revistas era baseado quase exclusivamente no conteúdo de sua versão tradicional (impressa). A evolução da internet mudou o jogo e, agora, o conteúdo online é deveras importante (talvez até mais que a simples reprodução do conteúdo impresso).

A evolução da web trouxe à tona muitas dúvidas àqueles que estão diretamente ligados ao mercado. E talvez a principal delas seja: de que forma ganhar dinheiro com internet? Cobrar por conteúdo é o ideal? Ou deixar o conteúdo livre e apostar em publicidade?

No Brasil um bom exemplo é o UOL. Talvez os três principais atrativos do portal no seu início eram: servir de provedor de acesso à internet discada; oferecer uma conta de e-mail com grande espaço de armazenamento de dados ao usuário; e o conteúdo fechado de revistas (da Editora Abril, por exemplo) e jornais (alguns impressos do mundo e, no Brasil, a Folha de São Paulo).

Hoje, a banda larga permite ao usuário não depender de um provedor. Emails gratuitos, muitas vezes, possuem muito mais vantagens que os e-mails pagos. E muito do conteúdo que fazia parte do UOL já não é mais exclusivo do portal.

Uma vez que a internet é território (de certa forma) livre e infinito, o usuário pode encontrar o mesmo tipo de informação em outros portais e sites de graça. Ainda assim, muitos vêem a cobrança como única forma de equilibrar as contas e não ter prejuízo.

A web ainda não tem uma fórmula ideal para publicidade. Boa parte das tentativas acabaram ficando obsoletas e fracassadas com o passar do tempo. Exemplo disso são os famigerados popups, que tanto irritavam os internautas e, hoje, estão cada vez mais em desuso; a propaganda acabava tendo o efeito contrário do desejado.

Além disso, as empresas ainda têm certo receio com relação ao real impacto dos anúncios em ambiente online. As mídias tradicionais são sempre as favoritas para lançamentos de produtos e para as grandes campanhas. A verba para TV e mídia impressa é sempre muitas vezes maior que para web.

Mesmo com a crescente audiência da web, as interrogações ainda são muitas. Talvez sejam até maiores do que eram antes. O fato é que o medo pelo novo muitas vezes acaba gerando um atraso na “evolução” da internet. Penso que é possível lucrar com web sem haver cobrança pelo conteúdo. Oferecer conteúdo de qualidade demanda dinheiro. Mas, uma vez tendo qualidade, haverá mais audiência. E, em consequência, mais publicidade. Com a TV aberta sempre funcionou assim (apesar de nem sempre audiência ser sinônimo de qualidade), idem com o rádio.

A discussão sobre cobrança de conteúdo segue pelo mundo todo. E ainda está longe de acabar. Enquento isso, o internauta vai se adaptando às novas realidades da web, sempre aguardando pela melhor solução (com o melhor conteúdo).

Robert Kennedy já defendia fim de bloqueio a Cuba em 1963

Por Marina Gazzoni

Robert Kennedy

O ex-ministro da Justiça dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy, tentou acabar com a proibição aos cidadãos americanos de viajar a Cuba. Ele elaborou um memorando com a decisão no dia 13 de dezembro de 1963. RFK é um dos dois irmãos mais novos do ex-presidente John F. Kennedy.

O então presidente americano, Lyndon Johnson, preferiu seguir os conselhos de McGeorge Bundy, seu assessor especial para Assuntos de Segurança Nacional. Bundy temia a disseminação de “ideias subversivzs” entre os turistas americanos e conseguiu convencer Johnson a manter a restrição a viagens a Ilha imposta no mandato de Dwight Eisenhower (1953-1960).

A informação está no artigo publicado por Kathleen Kennedy Townsend, filha de Robert Kennedy, no Washington Post, no dia 23 de abril deste ano. No texto, Kathleen pede ao atual presidente americano, Barack Obama, para defender o fim da proibição de viagens a Cuba.

O site The National Security Archive reúne quatro documentos que mostram como a questão foi discutida na década de 60, no governo Johnson. No memorando pró desbloqueio a Cuba, o principal argumento de Kennedy foi que “a restrição a viagens não consiste com o tradiconal liberalismo americano”.

Barack Obama

Um passo a frente nessa questão foi dado neste ano, quando Obama finalmente permitiu viagens ilimitadas a Ilha e o envio de remessas em dinheiro a parentes de americanos no país.

Mas ao pensar em todas as expectativas de mudanças criadas com a ascensão de Obama à presidência dos EUA, o avanço parece pequeno.

Cuba ainda enfrenta um embargo comercial dos EUA que se estende por 47 anos, como herança de uma Guerra Fria que já ficou pra trás. Falta muito para mudar. Can we?

Em busca do pertencimento

Por Maria Fernanda Teperdgian

Os criadores do SixDegrees.com, em 1997, anteciparam o que viria a ser um estouro após no século XXI. Os sites de relacionamento crescem espantosamente no mundo todo, e cada “tribo” encontrou o seu espaço garantido. O que começou como um site de namoro, ou apenas para adicionar amigos, se tornou uma rede de contatos em larga escala. Sites específicos para música, fotos e vídeos foram criados para atender a demanda de usuários que querem pertencer a um grupo para trocar idéias e disponibilizar informações na rede. Nasceu assim a idéia de pertencimento.

Ainda em 2002, na Austrália, foi lançado o site Friendster, que muito se aproxima do atual Facebook. O Friendster está ativo até hoje, atingindo diversos países como Indonésia, Malásia, Japão, Estados Unidos e Índia. Com o objetivo de compartilhar mensagens, músicas e manter contato com os amigos, o site propagou a idéia de adicionar “amigo do amigo”, ampliando assim a rede de contatos.

O Facebook criado em 2005, concretizou o que havia de mais “moderno” em termos de redes sociais. No site, você consegue ver todas as informações postadas pelos seus amigos e postar sua opinião, criando assim uma idéia de interatividade. Além disso, o Facebook inventou jogos e enquetes bem humoradas, para atrair os usuários que passam horas se divertindo com a “Fazendinha” ou o “restaurante”.

É interessante notar, que o Facebook é um sucesso ao redor do mundo, mas aqui no Brasil a febre ainda não pegou. Os brasileiros caíram nas graças de outro site de relacionamentos. O Orkut é o site mais utilizado no Brasil, e mesmo com tantas novidades e pequenas mudanças (como por exemplo, a nova interface que foi lançada esse ano) os brasileiros ainda não desistiram de vasculhar suas páginas.

No entanto, os sites de relacionamento estabelecem a falsa idéia de que todos que estão na sua página são seus “amigos”. Na verdade, em todas as redes sociais os contatos podem ser estabelecidos por afinidade, como um gosto em comum por uma música, mas também pode ser formada com colégas de trabalho ou até mesmo, uma pessoa desconhecida. A idéia de aproximar as pessoas em qualquer parte do mundo causa a impressão de que temos muitos “amigos” e pertencemos a um círculo social, o que muitas vezes na prática não se aplica.

#Exercício 6

Pagar pelo conteúdo da Internet?

Por Maria Fernanda Teperdgian

A notícia de que o conteúdo da internet pode ser cobrado a partir do ano que vem caiu como uma bomba na imprensa ao redor do mundo. A polêmica gira em torno do fato de que todas as informações colocadas à disposição na web sempre foram gratuitas, mas segundo o presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, que pretende bloquear o conteúdo de seus jornais – entre eles o Wall Street Journal – dos resultados de buscas do Google, um setor que oferece seu conteúdo de graça “prejudica sua capacidade de realizar boas reportagens”.

É claro que matérias jornalísticas de qualidade exigem um trabalho de apuração aprofundado e profissionais interessados em buscar informações corretas e exclusivas. Todo esse trabalho deve ser recompensado e o custo para tanto é elevado. No entanto, existem diversos veículos que destinam seu conteúdo exclusivo somente para assinantes e disponibilizam resumos mais amplos para o público de modo geral. Também não é de hoje, que os leitores que procuram apenas as notícias do dia, minuto a minuto, não compram jornais e revistas nas bancas e, portanto, não assinam veículos pela internet também. Já os interessados em se aprofundar na notícia continuam comprando o material impresso, desejando mais qualidade e cuidado com a informação.

O Grupo Estado, por sua vez, decidiu que não vai cobrar pelo conteúdo disponibilizado na internet, pois segundo o Silvio Genesini, diretor-presidente do grupo, a empresa não quer que o usuário pague pelo serviço, e sim os agentes de busca que tem dinheiro para tanto. De acordo com Genesini, os anunciantes não são o suficiente para bancar notícias de qualidade mas os integradores, como o Google, por exemplo, tiram um lucro sobre a produção do Grupo. Por outro lado, os sites de busca garantem que unem o público ao conteúdo, aumentando a audiência dos sites de jornal.

O fato é que deve haver um equilíbrio entre todos os lados. O leitor, infelizmente, gasta cada vez menos com informação, e não é cobrando pelo conteúdo da internet que isso vai mudar.  O material disponibilizado na web sempre foi gratuito, e retirar esse serviço agora, não significa aumentar o número de leitores nas bancas.

Cobrar ou não, eis a questão!

por Renato Garcia

O sucesso da Internet é inquestionável. E muito se deve ao fato de a maior parte dos sites serem gratuitos. Mas, remando contra essa corrente, surgiu a notícia de que os jornais vão começar a cobrar pelo seu conteúdo na web. Aí se instalou a polêmica.

Rupert Murdoch, presidente da News Corporation, foi quem anunciou tal medida. A partir daí, jornais brasileiros, como Folha, Estadão e O Globo se mostraram favoráveis a essa cobrança. Na verdade, a Folha já disponibiliza apenas parte de suas notícias gratuitamente. Quem consegue acessá-las na integra são apenas os assinantes do jornal ou do portal UOL. Os demais se contentam com os resumos.

Na minha opinião, essa medida vai afugentar mais ainda os leitores. O brasileiro não gasta com cultura, isso é mais do que comprovado. Cinema e teatro, por exemplo, são consumidos apenas por uma pequena elite. O mesmo acontece com os livros, revistas e jornais. Afinal, quem não compra os jornais na banca, também não vai gastar seu dinheiro com um site. Se a maioria dos brasileiros utiliza apenas a televisão e o rádio pra se informar, esse número só tende a crescer.

É claro que publicar notícias de qualidade é uma tarefa muito custosa. Mas colocar o ônus em cima do leitor virtual não é o mais adequado. Se a publicidade não dá conta de cobrir todos os gastos, o ideal seria criar conteúdos exclusivos para os sites. Melhor do que simplesmente publicar uma edição online do jornal impresso. Portanto, os periódicos brazucas deveriam tomar um pouco de cuidado antes de começar a cobrar, já que a nossa realidade é bem diferente da européia.

Na Inglaterra, de acordo com uma pesquisa anual da Association of Online Publishers, 70% das empresas jornalísticas já cobram ou pensam em cobrar pelo conteúdo online. Porém, a jornalista Georgina Prodhan, da Reuters Brasil, afirma que é muito fácil para Murdoch sair por aí dizendo que o acesso aos sites de seus jornais será pago. Afinal, ele controla também redes de televisão inglesas, além de um estúdio de cinema, de onde poderia sair toda a possível receita perdida.

Enfim, se o brasileiro deixa de ter acesso às notícias online, não é pagando que ele vai se informar. Quanto menos puder colocar a mão no bolso, melhor.

[exercício #5 – 20/11]

Exercício #6. Redes sociais: história e definição

Danah Boyd

 

Danah Boyd e Nicole Ellison definem muito bem a história das redes sociais no artigo “Social Network Sites: Definition, History, and Scholarship“. Como nosso último exercício, deixo um texto acadêmico, ou seja, uma pensata para todos nós jornalistas, publicitários, relações públicas. Depois da chegada das redes sociais, as relações pessoais e comunicacionais mudaram.  Faça uma resenha crítica de 15 linhas sobre o texto, colocando sua opinião sobre essa revolução que estamos presenciando.  Aproveite para refletir sobre tudo que leu, pesquisou e analisou nos perfis escolhidos no Twitter. Também lembre dos ensinamentos aprendidos no MediaOn e no Fórum de Cultura Digital. O que está mudando? (POLLYANA FERRARI)