Arquivo para novembro \30\UTC 2009

Twittar ou não twittar

Por ValeriaBursztein

Perguntam o que eu estou fazendo agora e, pela mesmice do cotidiano laboral, sou obrigada a responder “o mesmo”. É aí que nasce o meu dilema com o Twitter. Ainda não uso a ferramenta como diapasão de ideias. Falha minha, rendida que fico frente  a esta senhora que sempre me acompanha,  a autocrítica

Tenho esta ideia de que para ser “eficaz” no processo comunicacional  — tema que sozinho daria um novo post — o Twitteiro precisa respeitar a  equação nova informação e atualização constante. Além disso, questiono a máxima que nos inculcaram na graduação de jornalismo, “é preciso saber para quem vc está escrevendo!”. Será? No twitter há espaço para a pergunta? Ou quem segue é que define o dilema?

Por outro lado, já tinha me programado a usar a “piação eletrônica” para promover o conteúdo da revista que editava há até pouco tempo e potencializar o interesse entre os leitores tradicionais e os potenciais. Tinha pensado inserir atualizações com os títulos das matérias e link para o site, frases selecionadas das diversas entrevistas da edição, imagens mais marcantes e ações do gênero para incitar a curiosidade de quem acompanha comércio exterior e logística. Uma estratégia sem custo e de grande repercussão — ideal para pequenas publicações. Quem sabe na próxima revista que venha a editar.

 

 

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O twitt da Leitão

por Valeria Bursztein

A jornalista Miriam Leitão  adotou o twitter como forma de aumentar a rede de abrangência das notícias que publica diariamente. Com chamadas para matérias publicadas no jornal O Globo, comentários pessoais acerca do seu cotidiano e outras tantas contribuições, Miriam conseguiu “comunicar-se” com universos paralelos aos tradicionais leitores de economia. 

Os inserts de caráter mais pessoal também têm lá seu interesse. Comentários como “Sexta feira, 21h e eu trabalhando… realmente! Preciso acabar logo com isso, preciso lembrar que eu existo…ôps saiu um Roberto Carlos…” humanizan a profissional e diversificam a pauta do contexto.

Para os jornalistas que cobrem a área, como meu caso, acompanhá-la é um facilitar acompanhar esses verdadeiros “teasers” de informação, pequenos drops atualizados que orientam nossa pesquisa e agilizam o processo de captação de dados.

Para quem não está a par dos contextos, entretanto, a eficiência da comunicação é questionável.

Economia é fundamentalmente análise. O dado e a estatística são estéreis se desprovidos de um olhar clínico — grande mérito da jornalista em questão e de tantos outros que também fazem uso da ferramenta.

Há quem diga que informação nunca é demais. Pode até ser, mas é uma pena desperdiçá-la.

 

 

 

 

Digitalmente cultos…

Por Ana Paula Novaes

Entre os dias 18 e 21 de novembro foi realizado o primeiro Seminário Internacional da Cultura Digital. Suas mesas de discussão foram transmitidas ao vivo pela internet. No entanto, a maior contribuição para quem não pode estar presencialmente no evento foram as tuítadas de quem esteve por lá.

Com perfis diversos, os participantes do fórum comentavam citações, polemizavam os temas, retuitavam comentários… Um prato cheio de informações para quem estava a distância. O site oficial do evento dava inclusive espaço para quem queria dar seus pitacos. Isso porque, no Twitter, foi mantida a hashtag #culturadigitabr e um perfil. O seminário também contou com a cobertura no blog oficial.

Com o objetivo de discutir políticas públicas para o ciberespaço, o fórum foi o ponto de encontro das cabeças pensantes sobre o assunto. Dividido em cinco eixos de debates – memória, comunicação, arte, infraestrutura e economia – o fórum procurou abrir os caminhos para a definição da cibercultura brasileira e para os brasileiros. 

Mais do que quatro dias de debate presencial, as discussões continuam, até mesmo com apoio das redes sociais e principalmente o Twitter. As portas já estão abertas, basta que mergulhemos para a criação de nossa cultura digital.

* Exercício 4

Cobrar ou não cobrar, eis a questão

Por Natalia Sarkis

Em entrevista ao site Adnews, Silvio Genesini, diretor-presidente do grupo Estado afirmou que a empresa não cobrará pelas notícias no site, embora não descarte a possibilidade do internauta ter que pagar outros tipos de informação, como banco de dados e reportagens segmentadas.

A questão do direito autoral é algo que sempre esteve presente desde as primeiras publicações de textos. No início, ao terem um texto impresso no jornal, estas preocupações não existiam. Hoje, entretanto, é um assunto muito mais discutido, principalmente com a rápida troca de informações que temos graças à internet.

O grande debate que gira em torno dessa mídia é se deve-se ou não cobrar pelo conteúdo disponível, em sua maior parte gratuito, de livre acesso a internautas do mundo inteiro. Aqueles que são a favor, dizem que é uma forma de proteger os autores do texto ou de qualquer outro produto cultural. Aqueles que são contra, afirmam que essa não será a melhor solução, além de dificilmente funcionar na web.

O mundo virtual é tão extenso e tão complexo que realmente será difícil fazer funcionar um ato de cobrança pelos conteúdos. Onde houver um site cobrando pela informação haverá outro a proporcionando de graça. Quem não se lembra dos primeiros programas de downloads de músicas; sempre que um era fechado pela violação de direito autoral (ou então passava a cobrar pela canção que o usuário estava baixando), surgia outro, com disponibilização gratuita dos arquivos.

O que os grandes veículos de comunicação não compreendem, é que a internet é muito mais do que uma nova mídia onde podem vender informação. A internet é um lugar onde as pessoas podem experimentar a troca livremente, sendo essa muito mais importante que a comercialização da notícia.

A (ainda) difícil relação entre cultura digital e infra-estrutura no Brasil

por Mateus Rodrigues

 As discussões sobre as limitações estruturais que foram debatidas nos diversos eixos durante o Fórum Internacional de Cultura Digital, realizado entre os dias 18 e 21 de novembro de 2009 em São Paulo, são sintomáticos. Mostra que o desenvolvimento e usos dos meios digitais ainda esbarram em dificuldades que não são condizentes com a relevância dos trabalhos executados no país.

Os dados fornecidos pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) mostram que 43% das pessoas acessaram a Internet. Desse total, os centros públicos de acesso pagos (Mais conhecidos como “LAN Houses”) representam 35% de todos os acessos, enquanto iniciativas como centros públicos de acesso gratuito representam apenas 1% dos locais de acesso mais utilizados.

 Como já citado num dos artigos do blog, a viabilidade e importância do acesso público a Internet é imensa para começar a se falar na construção de uma cultura que pense os meios digitais de modo amplo, através do diálogo de todas as partes da sociedade brasileira. Considerando isso, o papel crucial da infra-estrutura de disseminação do acesso e capacitação das pessoas para essas possibilidades ainda é muito limitado.

 Nesse momento, escrevo esse artigo após quase uma semana de negociação para conseguir instalar um ponto de acesso onde estou, no interior do Rio. 200kbs. Se eu estivesse trabalhando com recursos um pouco mais complexos como vídeos, que já fazem ou deveriam fazer parte da rotina de acesso de informação, meu trabalho estaria seriamente prejudicado.

 Longe de ser uma exceção, meu exemplo é uma constante mais incomoda do que normalmente consideramos. Durante o Fórum, o diretor da Rede Nacional de Pesquisas José Luiz Ribeiro, mostrou o mapa de backbone da instituição. Não por acaso, os pontos de mais altas taxas de conexão situam-se no sul e sudeste, já que os custos ainda impedem que a mesma proporção de transferência de dados seja ofertada a outras regiões. A mesma tendência é seguida pelos provedores de Internet, que se limitam ao fornecimento de baixas taxas de acesso nas áreas afastadas dos grandes centros comerciais. Na verdade, até mesmo nessas regiões (como Grande Rio e Grande São Paulo), o monopólio exercido por grandes operadoras torna os serviços caros e pouco satisfatórios.

Quem controla a infra-estrutura controla seus usos e, conseqüentemente, as possibilidades de produção através dos meios digitais. O movimento pela liberdade de conteúdo na Internet também deve passar pelo questionamento dos modelos de fornecimento de acesso aos instrumentos de produção digital e de acesso à rede.

(Exercício #4)

Rede social, o big bang da comunicação

Por Ana Carolina Cortez (exercício 6)

O nascimento das redes sociais, por meio de modelos colaborativos como o Six Degrees.com, em 1997, trouxe uma revolução nas formas de comunicação interpessoais ao redor do mundo. No Brasil, o boom desse fenômeno estourou com o Orkut. Embora salas de bate-papo, blogs, ICQ e MSN tenham chegado antes no país, nenhum site tão popular tinha conseguido misturar perfil de internet com bate-papo e funcionalidades interativas, com o objetivo de integrar pessoas de diversas partes do planeta.

Outro fenômeno no Brasil e no mundo foi o twitter, hoje utilizado até por departamentos de Recursos Humanos em processos de seleção.  De “o que você está fazendo” para “o que está acontecendo”, a resposta a uma simples pergunta te conecta a milhares de pessoas em um processo de troca de experiências e informações que só a realidade virtual é capaz de promover.

Tamanha mudança na forma com a qual as pessoas se comunicam resultaria, obviamente, na própria mudança de paradigma do fazer jornalístico. Os leitores de hoje são mais participativos e não aceitam uma comunicação unilateral. Querem produzir conteúdo, querem sugerir pauta, querem escrever sobre os acontecimentos também.  Para um jornalista hoje, é possível viver atualizado sem twitter?

Embora ainda seja muito difícil para alguns meios de comunicação assimilarem essa mudança – desde a News Corporation ao Estado de S.Paulo,  que anunciaram recentemente a decisão de fecharem conteúdo on-line para assinantes -, esta é uma realidade que deverá ser aceita para a evolução do jornalismo. E o sucesso dos negócios, claro. Afinal, se o foco da atuação deixa de ser a demanda dos leitores, a conseqüência é a perda de público, como vem acontecendo hoje em uma enorme crise enfrentada pelos veículos impressos de comunicação.

A internet, as pessoas, os relacionamentos, o jornalismo, a notícia, o mundo. Tudo está em constante mudança – e ela ocorre cada vez mais rapidamente por conta da revolução da comunicação promovida pela dinâmica do espaço on-line. A sociedade – e principalmente os jornalistas – precisam estar a par dessas mudanças e assimilar a melhor forma de atuar nesse novo cenário, que revolucionou o conceito de comunidade.

Faltou maturidade aos meios impressos de comunicação

Por Ana Carolina Cortez

O recente anúncio do presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, de que pretende bloquear o conteúdo de seus jornais on-line segue a contramão do desenvolvimento das mídias digitais e da sociedade, de forma geral, que demanda cada vez mais acesso a um mundo virtual.

Os jornais impressos ainda não aprenderam a lidar com a mídia eletrônica e, graças a isso, perdem muito em negócios. Disponibilizar o conteúdo impresso no site da empresa é uma estupidez, de fato. Jornal impresso tem uma outra linguagem, uma outra dinâmica, um outro tempo. Quem quiser acessar o conteúdo impresso, que compre o jornal. As pessoas que acessam o conteúdo on-line buscam por conteúdo on-line, com suas peculiaridades. Apenas.

Não adianta transpassar conteúdo impresso para uma população acostumada com a velocidade da informação real time, por exemplo. Enquanto os jornais não perceberem isso, continuarão a perder dinheiro e a bloquear conteúdo para suprir a queda de receita que tiveram ao não aderir aos padrões de um novo jornalismo. E, infelizmente, essa atitude incabível nos moldes sociais de hoje, só traz malefícios para os usuários – e para os próprios donos dos jornais, que estão dando um verdadeiro tiro no pé.