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O que está mudando?
Por Tatiane Conceição
Fiquei pensando um bom tempo na questão do último exercício da turma. O que está mudando? Como o jornalismo vem sendo abalado pelas mudanças trazidas pelas novas tecnologias? Para tentar responder a esta pergunta, lembrei-me de 2000, ano em que iniciei meu curso de Jornalismo.
Não havia redes sociais; os sites jornalísticos brasileiros existiam, mas não com a mesma relevância dos dias de hoje; os blogs e twitters também ajudaram a moldar a força da época atual, na qual as relações humanas são mediadas por tecnologias e comunicações digitais.
Aliás, vale abordar o conceito de redes sociais, elaborado por Danah Boyd e Nicole Ellison: são serviços baseados na web, que permitem que indivíduos: 1) construam um perfil público ou semi-público com um sistema delimitado; 2) articulem uma lista de usuários, com quem eles compartilham uma conexão e 3) vejam e cruzem suas conexões e as conexões feitas por outras pessoas, por meio do sistema.
Neste cenário, a chamada “mídia tradicional” enfrenta dificuldades para se adaptar. Ela não dispõe do “monopólio da informação”, e agora precisa articular seu saber com outros produtores de conteúdo, entre eles os próprios usuários.
Um integrante da mídia tradicional, Ricardo Mendonça, repórter especial da Revista Época, fez, durante palestra, uma definição deste mal-estar: hoje existe uma “insegurança informativa”, na qual um jornal não fornece mais todo o conjunto de informações necessário para uma pessoa tomar decisões.
Existe ainda o dilema da viabilidade econômica dos veículos, já abordado neste blog, quando foi tratada, por exemplo, a polêmica entre buscadores e criadores de conteúdo (leia-se aqui, por exemplo, Rupert Murdoch x Google News).
Por fim, existe outra questão importantíssima, que também esteve aqui no Impressão, sobre a importância de se defender o acesso à comunicação digital como um direito fundamental do cidadão, algo pelo qual vem lutando, por exemplo, os membros do Fórum para a Cultura Digital.
Como diz José Murilo Carvalho Jr em artigo: “Abrir os processos de construção de políticas públicas na rede, facilitando a colaboração dos interessados, é uma iniciativa quase óbvia neste início de século. Promover a inovação distribuída em questões de governança pode qualificar a democracia, transformar a sociedade”.
Voltando para o início do post. Não sou a pessoa com a maior facilidade do mundo em utilizar os novos conteúdos tecnológicos (por exemplo, “apanhei” para buscar a foto que ilustra este post), mas, se estivesse parada no Jornalismo aprendido há dez anos, talvez não estivesse no mercado atualmente.
Acho que todos nós estamos “tateando” em busca de uma resposta que nos diga qual é o Jornalismo dos dias de hoje. Não acredito que o conteúdo digital irá substituir o papel – assim como a TV não substituiu o rádio – mas algumas habilidades são necessárias: testar, articular, compartilhar, cruzar informações, arriscar, deixar a arrogância de lado e se colocar como parte de uma comunidade. Talvez seja esta parte da resposta para a pergunta do título desta mensagem.
Quando o jornalista fala sobre música
Paula Bassi
Em seu estudo, Danah Boyd faz uma constatação: as comunidades online evoluíram de nichos temáticos e restritos para redes sociais pessoais e individualizadas. A autora cita Barry Wellman, segundo o qual “the world is composed of networks, not groups”. Uma área cultural atingida fortemente por essa mudança foi a música. Graças a sua capacidade de reunir e atrair o interesse de muitas pessoas, surgiram nos últimos anos inúmeras ferramentas de rede social focadas na música. O site Myspace é um caso, apesar de não ter sido originalmente planejado para isso. Também podemos citar a Imeem, rede social que conta com aproximadamente 25 milhões de usuários que interagem e compartilham conteúdo. Já o Last.fm monitora o “comportamento musical” de seus membros e recomenda grupos, músicas, artistas e shows a partir dessas informações e dos dados recolhidos de outros perfis. Além disso, no site também está disponível uma série de outros serviços como agenda de shows, eventos recomendados, galerias de fotos, resenhas de usuários, biografias, entre outros. Outro serviço, o Blip.fm, permite que o internauta atue como uma espécie de DJ, tendo seu perfil interligado às outras grandes redes sociais.
Essas redes sociais especializadas em música fornecem canais de informação e recomendação abrangentes, interativos e personalizados. Diante deles, o papel do jornalista na área torna-se questionável, principalmente se considerarmos a forma como muitas vezes o assunto é tratado nos jornais em que a cobertura é feita superficialmente e, quando há um aprofundamento, este trata de eventos megalomaníacos, artistas já consagrados ou alguns poucos grupos mais novos que se tornaram cool.
O espaço para a real crítica de música é limitado. Nas poucas revistas especializadas, também são raras as análises mais reflexivas. Os textos mais extensos são as matérias, e os mais comuns são resenhas e comentários. Na internet, pelo menos nos sites nacionais, são igualmente pouco encontradas as críticas de música. Repetindo o padrão do impresso, blogs e portais atêm-se a comentários, notas, resenhas e colunas. Claro que há exceções, como o blog de Pedro Alexandre Sanches, repórter da revista Carta Capital.
Nesse tipo de abordagem, nenhum tema é tratado de forma reflexiva, analítica – foca-se no aspecto quantitativo e não qualitativo. Qual é, afinal, a necessidade de um jornalista realizar este tipo de trabalho no ambiente online, onde existem muitas outras formas de adquirir informações rápidas?
Um ponto que pode ser destacado a partir da reflexão das redes sociais de música é que elas atuam também como “crítico-recomendador”, já que o internauta tem a opção de obter recomendações de maneira personalizada, rápida – não é necessário esperar para a atualização do blog, por exemplo – e direta – o usuário ouve a música e decide se gosta, não precisa do endosso crítico para baixar ou comprar um CD. O Last.fm, por exemplo, incentiva as pessoas a descobrirem música de maneira independente, não-canônica. Não é necessária a mediação de um profissional para conhecer novas bandas, saber novidades e acessar conteúdos rápidos. Qual seria o interesse, então, em ler comentários superficiais de um crítico sobre uma série de bandas? Por que a opinião rasa do profissional teria mais valor de que a de outra pessoa, se ambos os textos tiverem o mesmo grau de aprofundamento? Se o crítico se ativer ao superficial, à opinião sem embasamento, ele arrisca-se a ser substituído por ferramentas mais instantâneas e exploratórias da vasta quantidade de informação presente na rede.
Nesse contexto, a opinião do profissional especializado pode equilibrar-se hierarquicamente com a visão de um amigo, um vizinho ou alguém que simplesmente goste de ouvir música. Para esquivar-se disso, o jornalista deve utilizar todo o repertório que o distingue de um crítico amador para convencer o público de que vale a pena ler sua opinião e levá-la em conta. Isso só será possível quando abandonar a postura de tratar simultaneamente de todos os assuntos que puder em um determinado nicho e passar a manter uma atitude especialista, minuciosa e seleta em relação aos temas sobre os quais irá escrever.
Texto referente ao exercício 6
As redes sociais geram lucro
Por Caroline Pellegrino
Pesquisas mostram que empresários e pessoas que estão fora da rede deixam de ganhar De acordo com estudos realizados pela Altimeter Group, as empresas com melhor colocação no ranking de faturamento, no período de março a maio de 2009 utilizavam sites de relacionamento. Essas instituições obtiveram cerca de 18% de incremento na receita.
As vantagens de utilizar as redes sociais são inúmeras, vão da possibilidade de contatar os clientes até a de receber em tempo real novidades e informações como as de satisfação. Uma conexão que pode dar resultados profissionais e pessoais.
Segundo o Ibope Net/Rating, no Brasil, cerca de 29 milhões de pessoas utilizam algum tipo de rede social. Uma população consumidora e ávida por conteúdo que cresce a cada instante. Com a rapidez dos meios de comunicação e dos acontecimentos, estar inserido em um site de relacionamento significa ampliar as possibilidades de acesso à informação.
No tempo de cidadania digital , que qualquer um pode ser repórter e produzir conteúdo, na era da cibercultura, as instituições devem estar conectadas para acompanhar o movimento da informação. Instituições de todos os segmentos já aderiram ás vantagens dos sites de rede sociais. Privadas ou públicas como é o caso da Petrobrás e do Jornal The New York Times.
Como afirma Wellman ( 1998 )http://jcmc.indiana.edu/vol13/issue1/boyd.ellison.html#history, o mundo é composto por redes e não por grupos. Estar em uma delas possibilita a inserção no mundo virtual que contribui para manter, solidificar e ampliar as relações da vida real.
Digitalmente cultos…
Por Ana Paula Novaes
Entre os dias 18 e 21 de novembro foi realizado o primeiro Seminário Internacional da Cultura Digital. Suas mesas de discussão foram transmitidas ao vivo pela internet. No entanto, a maior contribuição para quem não pode estar presencialmente no evento foram as tuítadas de quem esteve por lá.
Com perfis diversos, os participantes do fórum comentavam citações, polemizavam os temas, retuitavam comentários… Um prato cheio de informações para quem estava a distância. O site oficial do evento dava inclusive espaço para quem queria dar seus pitacos. Isso porque, no Twitter, foi mantida a hashtag #culturadigitabr e um perfil. O seminário também contou com a cobertura no blog oficial.
Com o objetivo de discutir políticas públicas para o ciberespaço, o fórum foi o ponto de encontro das cabeças pensantes sobre o assunto. Dividido em cinco eixos de debates – memória, comunicação, arte, infraestrutura e economia – o fórum procurou abrir os caminhos para a definição da cibercultura brasileira e para os brasileiros.
Mais do que quatro dias de debate presencial, as discussões continuam, até mesmo com apoio das redes sociais e principalmente o Twitter. As portas já estão abertas, basta que mergulhemos para a criação de nossa cultura digital.
* Exercício 4
A (ainda) difícil relação entre cultura digital e infra-estrutura no Brasil
por Mateus Rodrigues
As discussões sobre as limitações estruturais que foram debatidas nos diversos eixos durante o Fórum Internacional de Cultura Digital, realizado entre os dias 18 e 21 de novembro de 2009 em São Paulo, são sintomáticos. Mostra que o desenvolvimento e usos dos meios digitais ainda esbarram em dificuldades que não são condizentes com a relevância dos trabalhos executados no país.
Os dados fornecidos pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) mostram que 43% das pessoas acessaram a Internet. Desse total, os centros públicos de acesso pagos (Mais conhecidos como “LAN Houses”) representam 35% de todos os acessos, enquanto iniciativas como centros públicos de acesso gratuito representam apenas 1% dos locais de acesso mais utilizados.
Como já citado num dos artigos do blog, a viabilidade e importância do acesso público a Internet é imensa para começar a se falar na construção de uma cultura que pense os meios digitais de modo amplo, através do diálogo de todas as partes da sociedade brasileira. Considerando isso, o papel crucial da infra-estrutura de disseminação do acesso e capacitação das pessoas para essas possibilidades ainda é muito limitado.
Nesse momento, escrevo esse artigo após quase uma semana de negociação para conseguir instalar um ponto de acesso onde estou, no interior do Rio. 200kbs. Se eu estivesse trabalhando com recursos um pouco mais complexos como vídeos, que já fazem ou deveriam fazer parte da rotina de acesso de informação, meu trabalho estaria seriamente prejudicado.
Longe de ser uma exceção, meu exemplo é uma constante mais incomoda do que normalmente consideramos. Durante o Fórum, o diretor da Rede Nacional de Pesquisas José Luiz Ribeiro, mostrou o mapa de backbone da instituição. Não por acaso, os pontos de mais altas taxas de conexão situam-se no sul e sudeste, já que os custos ainda impedem que a mesma proporção de transferência de dados seja ofertada a outras regiões. A mesma tendência é seguida pelos provedores de Internet, que se limitam ao fornecimento de baixas taxas de acesso nas áreas afastadas dos grandes centros comerciais. Na verdade, até mesmo nessas regiões (como Grande Rio e Grande São Paulo), o monopólio exercido por grandes operadoras torna os serviços caros e pouco satisfatórios.
Quem controla a infra-estrutura controla seus usos e, conseqüentemente, as possibilidades de produção através dos meios digitais. O movimento pela liberdade de conteúdo na Internet também deve passar pelo questionamento dos modelos de fornecimento de acesso aos instrumentos de produção digital e de acesso à rede.
(Exercício #4)
Rede social, o big bang da comunicação
Por Ana Carolina Cortez (exercício 6)
O nascimento das redes sociais, por meio de modelos colaborativos como o Six Degrees.com, em 1997, trouxe uma revolução nas formas de comunicação interpessoais ao redor do mundo. No Brasil, o boom desse fenômeno estourou com o Orkut. Embora salas de bate-papo, blogs, ICQ e MSN tenham chegado antes no país, nenhum site tão popular tinha conseguido misturar perfil de internet com bate-papo e funcionalidades interativas, com o objetivo de integrar pessoas de diversas partes do planeta.
Outro fenômeno no Brasil e no mundo foi o twitter, hoje utilizado até por departamentos de Recursos Humanos em processos de seleção. De “o que você está fazendo” para “o que está acontecendo”, a resposta a uma simples pergunta te conecta a milhares de pessoas em um processo de troca de experiências e informações que só a realidade virtual é capaz de promover.
Tamanha mudança na forma com a qual as pessoas se comunicam resultaria, obviamente, na própria mudança de paradigma do fazer jornalístico. Os leitores de hoje são mais participativos e não aceitam uma comunicação unilateral. Querem produzir conteúdo, querem sugerir pauta, querem escrever sobre os acontecimentos também. Para um jornalista hoje, é possível viver atualizado sem twitter?
Embora ainda seja muito difícil para alguns meios de comunicação assimilarem essa mudança – desde a News Corporation ao Estado de S.Paulo, que anunciaram recentemente a decisão de fecharem conteúdo on-line para assinantes -, esta é uma realidade que deverá ser aceita para a evolução do jornalismo. E o sucesso dos negócios, claro. Afinal, se o foco da atuação deixa de ser a demanda dos leitores, a conseqüência é a perda de público, como vem acontecendo hoje em uma enorme crise enfrentada pelos veículos impressos de comunicação.
A internet, as pessoas, os relacionamentos, o jornalismo, a notícia, o mundo. Tudo está em constante mudança – e ela ocorre cada vez mais rapidamente por conta da revolução da comunicação promovida pela dinâmica do espaço on-line. A sociedade – e principalmente os jornalistas – precisam estar a par dessas mudanças e assimilar a melhor forma de atuar nesse novo cenário, que revolucionou o conceito de comunidade.
Faltou maturidade aos meios impressos de comunicação
Por Ana Carolina Cortez
O recente anúncio do presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, de que pretende bloquear o conteúdo de seus jornais on-line segue a contramão do desenvolvimento das mídias digitais e da sociedade, de forma geral, que demanda cada vez mais acesso a um mundo virtual.
Os jornais impressos ainda não aprenderam a lidar com a mídia eletrônica e, graças a isso, perdem muito em negócios. Disponibilizar o conteúdo impresso no site da empresa é uma estupidez, de fato. Jornal impresso tem uma outra linguagem, uma outra dinâmica, um outro tempo. Quem quiser acessar o conteúdo impresso, que compre o jornal. As pessoas que acessam o conteúdo on-line buscam por conteúdo on-line, com suas peculiaridades. Apenas.
Não adianta transpassar conteúdo impresso para uma população acostumada com a velocidade da informação real time, por exemplo. Enquanto os jornais não perceberem isso, continuarão a perder dinheiro e a bloquear conteúdo para suprir a queda de receita que tiveram ao não aderir aos padrões de um novo jornalismo. E, infelizmente, essa atitude incabível nos moldes sociais de hoje, só traz malefícios para os usuários – e para os próprios donos dos jornais, que estão dando um verdadeiro tiro no pé.
Quanto vale a informação?
Por Fabio Ornelas
A discussão em torno da cobrança ou não dos conteúdos jornalísticos disponibilizados na internet, advinda da Declaração de Hamburgo, abre precedentes para uma série de reflexões.
À primeira vista, a cobrança por estes conteúdos parece ir de encontro à função primordial da internet: o da democratização da informação. Será que existe sentido falarmos de cobrança de notícias em uma rede de comunicação em que até obras literárias já estão sendo disponibilizadas gratuitamente (e na íntegra) a exemplo do que ocorre no site Domínio Publico?
E afinal de contas, quanto vale a informação? Como estipular o preço de uma notícia? Porque haveremos de pagar por notícias que hoje circulam gratuitamente por redes sociais como o Twitter? São muitos os questionamentos.
Particularmente, concordo com o Paulo Rosa Neto, editor-chefe do Adnews, que afirma que “essas novas “regras” são formas de salvamento das mídias tradicionais, que já migraram para a internet, mas ainda não se adaptaram totalmente ao mundo digital”.
A maioria esmagadora dos meios de comunicação tradicionais (jornais, revistas, etc..) ainda mantêm a prática nada estimulante de transpor seus conteúdos na íntegra para a internet, sem qualquer adaptação ou incremento ao meio eletrônico. Você provavelmente já deve ter se perguntado por que continuar comprando um jornal ou uma revista nas bancas se é possível lê-los na internet sem pagar absolutamente nada. Por outro lado, por que pagar por estes mesmos conteúdos na rede quando você já os leu no jornal ou na revista antes? É uma faca de dois gumes.
A declaração de Hamburgo fala que a prática da gratuidade da informação disponível na net “põe em risco a criação de conteúdos de alta qualidade e o próprio jornalismo independente”. Mas a que qualidade a declaração se refere haja vista que até mesmo as mais conceituadas empresas jornalísticas se limitam apenas a fazer um Control+C/Control+V de seus conteúdos tradicionais?
Com base nisso, creio que a cobrança de conteúdos informativos na rede só terá sentido a partir do momento em que as empresas de comunicação passarem a investir maciçamente em conteúdos exclusivos (e aprofundados) para a internet. Uma solução viável talvez seja continuar disponibilizando notícias gratuitas e paralelamente cobrar por matérias mais aprofundadas produzidas exclusivamente para a rede.
Vale observar ainda que a Declaração de Hamburgo defende o jornalismo independente (“não há democracia sem jornalismo independente”) mas refere-se apenas ao jornalismo profissional (“a internet é uma grande oportunidade para o jornalismo profissional”) ignorando totalmente o emergente ”jornalismo cidadão”.
Não seria a declaração, portanto, um recurso para inibir a produção espontânea de conteúdo jornalístico pelo cidadão comum, como se este não fosse um genuíno representante do jornalismo independente e capaz de produzir também conteúdos de qualidade?
Ainda há muito o que se questionar.
Exercício #5
Opinião
Por Caroline Pellegrino
A decisão do diretor-presidente do Grupo Estado, Silvio Genesini, de não cobrar pelo conteúdo online revela uma tendência que está de acordo com a cibercultura. Segundo Genesini, deve haver cobrança para informações segmentadas e específicas, como faz a Agência Estado. Leia a matéria completa sobre o tema em: http://www.comuniquese.com.br/conteudo/newsshow.asp?menu=JI&idnot=54328&editoria=8
É evidente e lógico que o cidadão não queira custear o acesso à informação, uma vez que utilizar conteúdo gratuito é um hábito inerente à internet. O público deseja realmente novidade e de baixo custo. O cidadão digital pretende utilizar a maior quantidade de ferramentas multimídia possível e não gastar nada ou quase nada com isso. Navegar sem limites pela web faz o homo digitalis sentir-se livre e poderoso. A cobrança por informação causará antipatia e aversão por parte do usuário.
Por outro lado, o que deve ser também discutido é o limite de conteúdo a ser divulgado na internet e a moderação que os sites e blogs precisam realizar. Este ano um blogueiro foi condenado a pagar R$ 16 mil a uma mulher por um comentário anônimo. O universitário, Emílio Moreno da Silva Neto, foi punido por um comentário feito por um anônimo no seu blog. Mesmo o jovem alegando não ter condições para pagar a dívida, a justiça manteve a punição. Conheça o caso em:
http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1394447-16020,00-BLOGUEIRO+E+CONDENADO+A+PAGAR+R+MIL+POR+COMENTARIO+ANONIMO.html
Exercício # 5
Cultura digital. Será possível?
Por Caroline Pellegrino
A produção cultural brasileira é disseminada, cada vez mais, através dos meios digitais. O avanço das mídias e cibercidadania que surge com o uso de recursos multimídia contribuem para o acesso à informação de forma de qualquer indivíduo pode criar e opinar. Debater essa realidade foi um dos focos do Seminário Internacional da Cultura Digital Brasileira, que invadiu a Cinemateca Brasileira, na zona Sul de São Paulo, entre os dias 18 e 21 de novembro.
Jomar Silva, palestrante e representante da ODF Alliance, empresas de Tecnologia da Informação, acredita que é importante definir parâmetros de qualidade dos provedores, no Brasil. Segundo Silva, não há um controle sistêmico que defina banda larga no país. “Tem gente que vende 128 Kbps e diz que é banda larga e tem outros que vendem 50 megas e falam que é banda larga. Não há uma regulamentação”, afirma. O vídeo com a entrevista está disponível em: http://culturadigital.br/seminariointernacional/2009/11/20/video-jomar-silva-fala-sobre-o-problema-da-banda-larga-no-brasil/
O evento, promovido pelo Ministério da Cultura (Minc), reuniu mais de 600 pessoas, entre pesquisadores, artistas, intelectuais, representantes governamentais e participantes internacionais como Paula Alsina, pesquisadora da Universidade Aberta de Cataluna, na Espanha.
Segundo pesquisa feita pela consultoria Ibobe Nielsen Online, realizada no primeiro semestre de 2009, a estimativa é que aja 62, 3 milhões de pessoas com acesso à internet no Brasil, o que equivale aproximadamente 32% da população. E, de acordo com o estudo realizado pelo Banco Mundial, no final de junho deste ano, um acréscimo de 10% do acesso à internet de alta velocidade pode produzir um crescimento de quase 1,4% do PIB.
A discussão sobre a ampliação ao acesso à internet veloz engloba diversos aspectos que foram explicitados durante o Seminário. A viabilidade de projetos na área digital, os planos para universalizar o acesso à banda larga, a reforma na lei de direitos autorais e o marco civil da internet foram temas presentes no evento.
Como explicou Jomar Silva, são necessárias ainda discussões,e diálogos até se encontrar estratégias para universalização do acesso. Além disso, deve-se definir as alternativas de tecnologias e radiofrequência para banda larga; limites e oportunidades de intervenção estatal, modelos de negócios inovadores e tecnologias de baixo custo e políticas regulatórias.
Após o Seminário Internacional da Cultura Digital Brasileira, o Seminário Internacional sobre Classificação Indicativa, nos dias 26 e 27/11, em Brasília, e organização pelo Ministério da Justiça. O encontro também teve o intuito de ampliar o debate sobre regulamentação da internet. Para acompanhar o status das medidas, o cidadão pode acessar o blog do Marco Civil e opinar sobre o assunto. O endereço é culturadigital.br/marcocivil. A construção da cultura digital depende de todos!
Exercício # 4




