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O jornalista cidadão e a credibilidade da informação

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Por Ana Carolina Cortez

O advento das novas tecnologias trouxe incontestáveis avanços na forma de produção jornalística. A socialização da informação, hoje disponibilizada pelos leitores por meio de blogs, twitter, youtube, facebook e inúmeras redes sociais mundo a fora, tornam o agente da passiva, que antes apenas recebia informações do meio, em criador e distribuidor de conteúdo. O jornalista John Kelly aborda este tema passionalmente em seu livro “Challenges – Red Kayaks and Hidden Gold: the rise, challenges and value of citizen journalism”.

Já é de se imaginar que, do ponto de vista jornalístico, esse tipo de produção de conteúdo deve ser observada com muita cautela quanto à veracidade dos fatos publicados. Enquanto a tecnologia transforma todo cidadão em Publisher, o novo modelo, baseado em uma transmissão de conteúdo de vários (internautas) para vários ao invés de um (jornalista) para vários, traz um sério problema de credibilidade. Se todo mundo munido de um computador conectado em rede é capaz de gerar informações, como é possível filtrar os conteúdos disponíveis e extrair apenas o que for verossímil?

NetworkingEsse problema existe tanto quando falamos de um cidadão comum, quanto de uma empresa que disponibiliza informações nas redes sociais. Os interesses particulares movem as publicações provenientes desse tipo de distribuição de conteúdo com mais força. As histórias, por este motivo, são contadas de um único ponto de vista em sua maioria. Por exemplo, imaginemos uma corporação polua muito o ambiente e viva de desastres naturais. Ela decide fazer um blog. Nele, postará conteúdos voltados para responsabilidade social e trabalhará sua imagem de forma mais positiva que as matérias dos jornais. Neste caso, as redes se tornam um grande instrumento de manipulação de informação.

Sem a menor sombra de dúvidas, o boom das redes sociais trouxe melhorias para o jornalismo de forma geral, forçado a atualizar seu modelo de distribuição de conteúdo, explicando acontecimentos e aprofundando temas com a participação mais ativa e colaborativa de seus leitores.

Kelly está correto em afirmar que a mídia pré-redes sociais poderia ser considerada de massas por conta de seu alcance, mas não de produção de conteúdo. Mas devemos estar muito atentos quanto ao tipo de informações encontramos em rede, filtrando cada material criticamente. Da mesma forma em que músicas como “United breakes guitars” viram hits no mundo todo por conta do youtube, e forçam a empresa a se redimir publicamente – além de tornar anônimos em celebridades, a guerra de interesses se intensifica na internet e a manipulação de conteúdo se torna cada vez mais perigosa nas mãos dos “jornalistas cidadãos”.

Escrito por cursoblogcorp

Novembro 7, 2009 em 11:30 am