Faltou maturidade aos meios impressos de comunicação
Por Ana Carolina Cortez
O recente anúncio do presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, de que pretende bloquear o conteúdo de seus jornais on-line segue a contramão do desenvolvimento das mídias digitais e da sociedade, de forma geral, que demanda cada vez mais acesso a um mundo virtual.
Os jornais impressos ainda não aprenderam a lidar com a mídia eletrônica e, graças a isso, perdem muito em negócios. Disponibilizar o conteúdo impresso no site da empresa é uma estupidez, de fato. Jornal impresso tem uma outra linguagem, uma outra dinâmica, um outro tempo. Quem quiser acessar o conteúdo impresso, que compre o jornal. As pessoas que acessam o conteúdo on-line buscam por conteúdo on-line, com suas peculiaridades. Apenas.
Não adianta transpassar conteúdo impresso para uma população acostumada com a velocidade da informação real time, por exemplo. Enquanto os jornais não perceberem isso, continuarão a perder dinheiro e a bloquear conteúdo para suprir a queda de receita que tiveram ao não aderir aos padrões de um novo jornalismo. E, infelizmente, essa atitude incabível nos moldes sociais de hoje, só traz malefícios para os usuários – e para os próprios donos dos jornais, que estão dando um verdadeiro tiro no pé.
Conteúdo fechado – Uma atitude desesperada
Por Marina Gazzoni
A cobrança de conteúdo on-line pelas empresas de comunicação, como defende o presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, é uma batalha perdida. Primeiro, porque a cultura de leitura gratuita na internet já está consolidada. Segundo, porque sempre haverá quem oferecerá informação sem custos para o leitor.
Hoje mesmo isso já acontece. O conteúdo da Folha de São Paulo, por exemplo, está disponível na internet apenas para assinantes do jornal ou do Uol. No entanto, diversos blogs e sites replicam as reportagens do dia na íntegra, oferecendo o mesmo texto gratuitamente para o leitor que fizer uma pesquisa simples no Google.
Cobrar pelo conteúdo on-line é uma atitude desesperada das empresas de comunicação para garantir a receita do seu negócio. É uma decisão errada, pois poucas pessoas estão dispostas a pagar por uma informaçao que terão gratuitamente em sites, blogs, na televisão ou em veículos alternativos.
Esse erro acontece porque os empresários do setor frequentemente comparam os sites informativos com jornais diários, que custam para o leitor. Na minha opinião, compará-los à televisão é mais adequado e trará também uma visão diferente de como financiar o conteúdo on-line.
O conteúdo da televisão também é gratuito para o telespectador, mas a penetração do veículo em massa e a capacidade de atingir um público segmentado conforme a programação faz o veículo despontar como emissor de mensagens publicitárias. Da mesma forma que ocorre com a televisão, creio que a publicidade é ainda a melhor forma de viabilizar a produção de conteúdo jornalístico on-line. Na minha opinião, ainda há um potencial muito grande inexplorado para o desenvolvimento da publicidade na internet, que ganha força com a redução do custo de computadores e de banda larga, massificando o veículo.
Assim como ocorre com a televisão a cabo, creio que há espaço para conteúdos exclusivos na internet. Mas esses precisam ter uma qualidade superior ao que é oferecido gratuitamente e atingir um nicho específico. Um veículo que explora bem esse conceito é a Agência Estado, que oferece conteúdos exclusivos e serviços personalizados para clientes do mercado financeiro. O que realmente não será possível é cobrar pelo feijão com arroz.
Pagar pelo conteúdo da Internet?
Por Maria Fernanda Teperdgian
A notícia de que o conteúdo da internet pode ser cobrado a partir do ano que vem caiu como uma bomba na imprensa ao redor do mundo. A polêmica gira em torno do fato de que todas as informações colocadas à disposição na web sempre foram gratuitas, mas segundo o presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, que pretende bloquear o conteúdo de seus jornais – entre eles o Wall Street Journal – dos resultados de buscas do Google, um setor que oferece seu conteúdo de graça “prejudica sua capacidade de realizar boas reportagens”.
É claro que matérias jornalísticas de qualidade exigem um trabalho de apuração aprofundado e profissionais interessados em buscar informações corretas e exclusivas. Todo esse trabalho deve ser recompensado e o custo para tanto é elevado. No entanto, existem diversos veículos que destinam seu conteúdo exclusivo somente para assinantes e disponibilizam resumos mais amplos para o público de modo geral. Também não é de hoje, que os leitores que procuram apenas as notícias do dia, minuto a minuto, não compram jornais e revistas nas bancas e, portanto, não assinam veículos pela internet também. Já os interessados em se aprofundar na notícia continuam comprando o material impresso, desejando mais qualidade e cuidado com a informação.
O Grupo Estado, por sua vez, decidiu que não vai cobrar pelo conteúdo disponibilizado na internet, pois segundo o Silvio Genesini, diretor-presidente do grupo, a empresa não quer que o usuário pague pelo serviço, e sim os agentes de busca que tem dinheiro para tanto. De acordo com Genesini, os anunciantes não são o suficiente para bancar notícias de qualidade mas os integradores, como o Google, por exemplo, tiram um lucro sobre a produção do Grupo. Por outro lado, os sites de busca garantem que unem o público ao conteúdo, aumentando a audiência dos sites de jornal.
O fato é que deve haver um equilíbrio entre todos os lados. O leitor, infelizmente, gasta cada vez menos com informação, e não é cobrando pelo conteúdo da internet que isso vai mudar. O material disponibilizado na web sempre foi gratuito, e retirar esse serviço agora, não significa aumentar o número de leitores nas bancas.
Cobrar ou não, eis a questão!
por Renato Garcia
O sucesso da Internet é inquestionável. E muito se deve ao fato de a maior parte dos sites serem gratuitos. Mas, remando contra essa corrente, surgiu a notícia de que os jornais vão começar a cobrar pelo seu conteúdo na web. Aí se instalou a polêmica.
Rupert Murdoch, presidente da News Corporation, foi quem anunciou tal medida. A partir daí, jornais brasileiros, como Folha, Estadão e O Globo se mostraram favoráveis a essa cobrança. Na verdade, a Folha já disponibiliza apenas parte de suas notícias gratuitamente. Quem consegue acessá-las na integra são apenas os assinantes do jornal ou do portal UOL. Os demais se contentam com os resumos.
Na minha opinião, essa medida vai afugentar mais ainda os leitores. O brasileiro não gasta com cultura, isso é mais do que comprovado. Cinema e teatro, por exemplo, são consumidos apenas por uma pequena elite. O mesmo acontece com os livros, revistas e jornais. Afinal, quem não compra os jornais na banca, também não vai gastar seu dinheiro com um site. Se a maioria dos brasileiros utiliza apenas a televisão e o rádio pra se informar, esse número só tende a crescer.
É claro que publicar notícias de qualidade é uma tarefa muito custosa. Mas colocar o ônus em cima do leitor virtual não é o mais adequado. Se a publicidade não dá conta de cobrir todos os gastos, o ideal seria criar conteúdos exclusivos para os sites. Melhor do que simplesmente publicar uma edição online do jornal impresso. Portanto, os periódicos brazucas deveriam tomar um pouco de cuidado antes de começar a cobrar, já que a nossa realidade é bem diferente da européia.
Na Inglaterra, de acordo com uma pesquisa anual da Association of Online Publishers, 70% das empresas jornalísticas já cobram ou pensam em cobrar pelo conteúdo online. Porém, a jornalista Georgina Prodhan, da Reuters Brasil, afirma que é muito fácil para Murdoch sair por aí dizendo que o acesso aos sites de seus jornais será pago. Afinal, ele controla também redes de televisão inglesas, além de um estúdio de cinema, de onde poderia sair toda a possível receita perdida.
Enfim, se o brasileiro deixa de ter acesso às notícias online, não é pagando que ele vai se informar. Quanto menos puder colocar a mão no bolso, melhor.
[exercício #5 - 20/11]
Opinião
Por Caroline Pellegrino
A decisão do diretor-presidente do Grupo Estado, Silvio Genesini, de não cobrar pelo conteúdo online revela uma tendência que está de acordo com a cibercultura. Segundo Genesini, deve haver cobrança para informações segmentadas e específicas, como faz a Agência Estado. Leia a matéria completa sobre o tema em: http://www.comuniquese.com.br/conteudo/newsshow.asp?menu=JI&idnot=54328&editoria=8
É evidente e lógico que o cidadão não queira custear o acesso à informação, uma vez que utilizar conteúdo gratuito é um hábito inerente à internet. O público deseja realmente novidade e de baixo custo. O cidadão digital pretende utilizar a maior quantidade de ferramentas multimídia possível e não gastar nada ou quase nada com isso. Navegar sem limites pela web faz o homo digitalis sentir-se livre e poderoso. A cobrança por informação causará antipatia e aversão por parte do usuário.
Por outro lado, o que deve ser também discutido é o limite de conteúdo a ser divulgado na internet e a moderação que os sites e blogs precisam realizar. Este ano um blogueiro foi condenado a pagar R$ 16 mil a uma mulher por um comentário anônimo. O universitário, Emílio Moreno da Silva Neto, foi punido por um comentário feito por um anônimo no seu blog. Mesmo o jovem alegando não ter condições para pagar a dívida, a justiça manteve a punição. Conheça o caso em:
http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1394447-16020,00-BLOGUEIRO+E+CONDENADO+A+PAGAR+R+MIL+POR+COMENTARIO+ANONIMO.html
Exercício # 5
Cultura digital. Será possível?
Por Caroline Pellegrino
A produção cultural brasileira é disseminada, cada vez mais, através dos meios digitais. O avanço das mídias e cibercidadania que surge com o uso de recursos multimídia contribuem para o acesso à informação de forma de qualquer indivíduo pode criar e opinar. Debater essa realidade foi um dos focos do Seminário Internacional da Cultura Digital Brasileira, que invadiu a Cinemateca Brasileira, na zona Sul de São Paulo, entre os dias 18 e 21 de novembro.
Jomar Silva, palestrante e representante da ODF Alliance, empresas de Tecnologia da Informação, acredita que é importante definir parâmetros de qualidade dos provedores, no Brasil. Segundo Silva, não há um controle sistêmico que defina banda larga no país. “Tem gente que vende 128 Kbps e diz que é banda larga e tem outros que vendem 50 megas e falam que é banda larga. Não há uma regulamentação”, afirma. O vídeo com a entrevista está disponível em: http://culturadigital.br/seminariointernacional/2009/11/20/video-jomar-silva-fala-sobre-o-problema-da-banda-larga-no-brasil/
O evento, promovido pelo Ministério da Cultura (Minc), reuniu mais de 600 pessoas, entre pesquisadores, artistas, intelectuais, representantes governamentais e participantes internacionais como Paula Alsina, pesquisadora da Universidade Aberta de Cataluna, na Espanha.
Segundo pesquisa feita pela consultoria Ibobe Nielsen Online, realizada no primeiro semestre de 2009, a estimativa é que aja 62, 3 milhões de pessoas com acesso à internet no Brasil, o que equivale aproximadamente 32% da população. E, de acordo com o estudo realizado pelo Banco Mundial, no final de junho deste ano, um acréscimo de 10% do acesso à internet de alta velocidade pode produzir um crescimento de quase 1,4% do PIB.
A discussão sobre a ampliação ao acesso à internet veloz engloba diversos aspectos que foram explicitados durante o Seminário. A viabilidade de projetos na área digital, os planos para universalizar o acesso à banda larga, a reforma na lei de direitos autorais e o marco civil da internet foram temas presentes no evento.
Como explicou Jomar Silva, são necessárias ainda discussões,e diálogos até se encontrar estratégias para universalização do acesso. Além disso, deve-se definir as alternativas de tecnologias e radiofrequência para banda larga; limites e oportunidades de intervenção estatal, modelos de negócios inovadores e tecnologias de baixo custo e políticas regulatórias.
Após o Seminário Internacional da Cultura Digital Brasileira, o Seminário Internacional sobre Classificação Indicativa, nos dias 26 e 27/11, em Brasília, e organização pelo Ministério da Justiça. O encontro também teve o intuito de ampliar o debate sobre regulamentação da internet. Para acompanhar o status das medidas, o cidadão pode acessar o blog do Marco Civil e opinar sobre o assunto. O endereço é culturadigital.br/marcocivil. A construção da cultura digital depende de todos!
Exercício # 4
O emblema do conteúdo aberto
por Paula Bassi
If your site is easy to find on Google, you don’t sue — you celebrate.
Não é todo mundo que concorda com essa frase de Tim Wu, autor do artigo Leggo My Ego – Google Print and the other culture war. Rupert Murdoch, presidente da gigante News Corporation, vê o Google como um parasita, uma empresa que lucra em cima da produção alheia. Reflexo dessas suas ressalvas foi seu anúncio de que pretende bloquear o conteúdo de seus jornais, entre eles o Wall Street Journal, dos resultados de buscas do Google.
O receio em relação a ser “usado” por ferramentas como o Google e o YouTube não é exclusivo nem de veículos da grande mídia nem de empresários magnatas. Trebor Scholtz, no artigo What the MySpace generation should know about working for free coloca uma questão similar à de Murdoch, sob o ponto de vista da produção de conteúdos colaborativos.
Sociable Web Media make people easier to use but we can’t let them (and them in us) get the best of us.
Muitos jornais brasileiros também se posicionam com relutância em relação à informação aberta na internet. O diretor-presidente do Grupo Estado Silvio Genesini garantiu recentemente que o conteúdo online do jornal continuará aberto, mas também aponta o Google e outros buscadores como vilões da história. Já a Folha de São Paulo restringe boa parte de seus conteúdos digitais. Mas a cultura da Web parece ter assimilado a idéia de que aquilo que está disponível na rede deve ser gratuito e a restrição de conteúdo com o intuito de reavivar as finanças dos veículos não parece funcionar.
Então, qual seria a solução para evitar a falência das empresas de comunicação e, simultaneamente, impedir que seus trabalhos se entrelacem com ferramentas como YouTube, Google e outras? Andrew Keen, no livro Culto do Amador, propõe a luta pela permanência do modelo tradicional de veiculação de informação. Mas isso será possível? A meu ver, não. A inércia do sistema econômico capitalista tradicional encontrou um obstáculo simplesmente muito grande para ser desviado e não é a simples digitalização das mesmas fórmulas que vai salvar os meios de comunicação.
No debate entre o pago e o não pago, deve-se levar em conta o contrapeso de cada argumento: conteúdo livre já faz parte do repertório cultural da Web, mas é preciso ter em mente que textos jornalísticos de qualidade custam, e muito. Além disso, uma reportagem patrocinada por empresas e/ou pelo governo pode tornar-se tendenciosa e isso afeta a credibilidade e a independência da notícia. Ao mesmo tempo, é preciso considerar que essas influências sempre estiveram presentes, explícita ou implicitamente.
O mito de que tudo o que cai na rede é gratuito deve ser analisado com muita cautela e as soluções adotadas devem ser condizentes com a atualidade, deixando de lado o saudosismo e o medo de encarar o novo.
Obs: Texto referente ao Exercício #5
Em pauta: a Cultura Digital
Por Natalia Sarkis
De 18 a 21 de novembro aconteceu na Cinemateca Brasileira o Fórum Internacional de Cultura Digital. Além das palestras sobre o tema, o diferencial ficou por conta de intervenções e apresentações artísticas durante o evento. Dentre elas, a performance de Zé Celso Martinez Corrêa.
De todos os debates, o do dia 21 foi o mais abrangente. A mesa “Contexto Internacional da Cultura Digital” foi composta por Raquel Rennó (Pesquisadora de arte digital e integrante da Associação Cultural de Projetos em Cultura Digital ZZZinc, de Barcelona), David Sasaki (Diretor do Rising Voices), Ivo Corrêa (Responsável pelas políticas públicas e governamentais da Google Brasil), Alfredo Manevy (Secretário executivo do Ministério da Cultura), Amelia Andersdotter (Membro do Partido Pirata Sueco) e teve como mediador José Murilo Jr. (Gerente de Cultura Digital do Ministério da Cultura).
Raquel Rennó fez uma palestra sobre organizações que trabalham com a questão da Cultura Digital, trazendo exemplo de como as pessoas dessas organizações estão pensando novas formas e novos espaços de se produzirem cultura.Já a fala de Ivo Corrêa foi inteiramente permeada sobre a tensão entre o global e o local no tema abordado. Corrêa também coloca graças não somente a internet, mas a toda a rede social que continua se formando, distribuir cultura ficou hoje muito mais fácil.Alfredo Manevy, do Ministério da Cultura, teve sua fala mais centrada na participação do Estado na construção dessa cultura digital. Apontou questões como o direto do criador e da sociedade de ter acesso ao seu trabalho e a digitalização da cultura.
Outro tema de discussão foi a cultura participativa. Segundo David Sasaki, no passado, fazer cultura era algo que estava muito ligado a uma determinada pessoa. Com a Cultura Digital, várias pessoas podem participar do processo e aprender com ele. É o que ele chama de cultura colaborativa.
Todas essas questões nos levam a pensar na própria transformação do termo cultura. A era digital está permitindo que um maior número de pessoas compartilhem suas experiências, tanto no campo do intelecto, quanto no da produção. E essa pode ser desde um curta-metragem com uma cara mais profissional, até mesmo algo mais amador, como um vídeo colocado no youtube.
Como colocado na Carta de Cultura Digital Brasileira, que encerrou o evento, “este (fórum) não se pretende conclusivo. Tudo o que aqui se fez integra um processo, dinâmico, de formulação e criação. Esse processo prossegue. Não pode parar”.
Exercício 4
Alternativas de financiamento de reportagens: a história da “garota do lixo”
Por Tatiane Conceição
Atualmente, uma das grandes questões que envolvem a internet diz respeito à viabilidade econômica dos veículos. Muito se discute, mas pouco consenso existe quanto a qual modelo seria mais viável, se é interessante manter “aberto” ou “fechado” o conteúdo dos portais de informação na rede mundial de computadores.
Para ir além desta polêmica, gostaria de contar a história da jornalista norte-americana Lindsay Hoshaw – que se auto-apelidou de Garbage Girl, ou “a garota do lixo” - e de como ela se tornou um exemplo das alternativas que surgem para o financiamento de reportagens.
Ela é uma repórter freelancer, da região da Califórnia, especializada em Meio-Ambiente. Ela queria fazer uma reportagem sobre uma larga faixa de lixo que cobre parte do Oceano Pacífico. O The New York Times interessou-se pela história, porém não se dispôs a cobrir os custos da reportagem.
A fim de obter os US$ 10 mil necessários para realizar a viagem de barco que a levaria à “massa de lixo flutuante”, ela procurou o site Spot.us, uma organização que ajuda repórteres a obter doações para seus projetos. Veja o vídeo em que ela explica sua empreitada:
A questão gerou polêmica: para alguns, a história soava como exploração. O The New York Times “forçando uma repórter a implorar com uma caneca virtual”. Hoshaw não pensava assim: para ela, era uma oportunidade que não poderia deixar passar. Para o Spot.us, era uma forma de o público financiar o jornalismo desejado. Já o The Times, em artigo, disse que era “um passo em direção a um mundo inimaginável poucos anos atrás”.
Hoshaw obteve o financiamento, fez a viagem - usando um blog e um álbum do flickr para mostrar todos os ângulos da matéria – e, por fim, saiu a reportagem no Times (que muitos acharam incompleta, por não expor o lado humano da viagem, como no blog).
A própria jornalista, em seu blog, fala sobre a experiência: “as pessoas querem se sentir conectadas às histórias que elas estão lendo e às pessoas que as escrevem. As pessoas querem contribuir, querem ser parte do processo”.
Ou seja, neste modelo, mais colaborativo, as pessoas se sentiram mais parte da história, afinal elas contribuíram financeiramente, acompanharam o dia-a-dia de Lindsay, comentaram, enfim, estiveram próximas.
Longe de considerar este “financiamento colaborativo” de reportagem o futuro único da internet, é importante observar os modelos novos que estão surgindo, afinal, se o sisudo The New York Times abriu-se a esta alternativa, é sinal de que a história de Lindsay é parte do futuro do jornalismo.
Quem quiser saber mais sobre este caso:
- Blogueiro Maurício Stycer, do IG: “NY Times” aceita financiamento externo para reportagens
- Artigo do site Mashable: Lixo ou tesouro? The New York Times tenta “Crowdfunding” (algo como financiamento coletivo) – em inglês
- Jeff Jarvis, do Huffington Post: Caridade ou colaboração para o The Times? – em inglês
- Perfil da Lindsay Hoshaw no Twitter: “The Garbage Girl” (a garota do lixo – em inglês)
Pássaros na Bolsa de Valores
Valeria Bursztein
Para quem achava que o Twitter era mais uma eufórica e efêmera criação do mundo virtual, notícia publicada pelo novíssimo jornal Brasil Econômico constata a imperturbável dinâmica de crescimento dos microblogs. Confira. (…)
A jovem empresa, de apenas três anos, já está gerando receita e deve focar nisso para o ano que vem. “O ano de 2010 realmente será o ano da receita. Eu não sei se seremos lucrativos, mas temos muito tempo”, disse o co-fundador da companhia, Biz Stone na última segunda-feira (23.11).
Em setembro, o Twitter recebeu uma nova rodada de recursos de investidores, o que analistas afirmam ter aberto as portas para uma eventual oferta pública inicial de ações ou IPO, no jargão do mundo financeiro.
Segundo fonte com conhecimento do caso, o novo financiamento chegou a um total de US$ 100 milhões, o que teoricamente dá um valor de mercado à companhia de US$ 1 bilhão.
Stone afirmou a jornalistas que não quer vender a empresa, e que exploraria alternativas a uma oferta pública inicial. “O fato é que queremos construir nossa própria empresa, uma que irá durar por um longo tempo. Se um IPO for a forma de fazer isso, então faremos”, disse ele nos bastidores de um seminário sobre empreendedorismo.
não quis dar detalhes sobre como o Twitter irá apresentar aos seus usuários os anúncios no site a partir do ano que vem, mas deu uma dica de que será diferente das formas tradicionais de publicidade na Internet, que incluem anúncios nas páginas e buscas patrocinadas.
O Twitter, serviço para enviar mensagens de texto de até 140 caracteres para grupos de “seguidores” na Web, é uma das redes sociais que mais cresce na Internet.
O site recebeu 44,5 milhões de visitas em todo o mundo em junho, 15 vezes o número do mesmo mês do ano passado, de acordo com a empresa de pesquisa comScore. (Informações: Brasil Econômico / Thomson Reuters).

